Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

As verbas que faltam

29 de Fevereiro, 2020
É muito comum e sobretudo num período de recessão, como o que grassa nessa altura no país e noutras latitudes do mundo, ouvirem-se lamentações de falta disso e daquilo, para acudir esta ou aquela situação. Por cá, também, o desporto vai se convertendo, em muitos casos, num verdadeiro “parente pobre” e “enteado da vida”.
Agora torna-se ainda mais caricato ver empresas, que outrora esbanjavam algum “charme financeiro”, sobretudo por a economia do país ir muito ao reboque daquilo que era o seu nível de produção e de arrecadação de receitas, hoje também aparecerem com frequência a soltarem o grito de socorro pelo aperto dos seus cofres. A Sonangol, a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola, é hoje um exemplo disso.
É por demais sabido, que a petrolífera nacional foi por anos e anos o principal suporte da economia angolana. Também é sublime dizer, que pela grandeza que ostenta(va) em termos de produção, em várias etapas da sua actividade apoiava o desporto no país em diferentes frentes. A título de exemplo, pode-se apontar o futebol, sobretudo no domínio das Selecções Nacionais, bem assim como noutras modalidades.
No atletismo, não houve qualquer indiferença no concernente ao apoio que era prestado pela petrolífera nacional ao cabo destes anos. A prova disso, foi a implementação do Grande Prémio Sonangol, que embora fosse organizado em parceria com a Federação Angolana de Atletismo (FAA), tinha como principal patrocinadora a petrolífera estatal.
Só no ano transacto, o referido Grande Prémio, que habitualmente homenageava neste mês de Fevereiro os festejos de aniversário da Sonangol, movimentou mais de dois mil participantes, em duas provas de fundo que contaram com atletas federados e populares.
Agora este ano, quando se aguardava com expectativa pela realização da décima-segunda edição, que visava saudar o 44º aniversário da Sonangol, caiu com tamanha desilusão, a informação de que não havia verbas para a sua realização.
O mais triste no meio disso é que corre, nessa altura, um processo judicial que envolve figuras que estiveram ligadas à presidência e antigo Conselho de Administração da companhia, pela gestão danosa, que provocou o descaminho de milhões e milhões de dólares, que hoje, obviamente, atenuariam “ene problemas” de milhares e milhares de angolanos, que vivem como “verdadeiros mendigos”.
O que terá adiantado, e sabe-se lá a coberto de quem quer que seja, que uma “bem” ou “mal-aventurada princesinha dos ovos de ouro” usurpasse tamanha fatia do erário público, por via da petrolífera, aos olhos de todo mundo, quando os angolanos vivem cada vez mais uma situação de aperto financeiro e que não poupa sequer o desporto nas nossas fronteiras. Daí o veemente apelo, para que se dê maior atenção ao nosso desporto e a outras actividades de índole social, que elevam o nome do país, a despeito de algumas dezenas de “iluminados”, que mais não fizeram senão usurpar aquilo que cabia a todos angolanos por direito. E bem-haja para o nosso desporto e o atletismo, que já forjou até campeões mundiais…

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