Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Assim como sempre

27 de Fevereiro, 2014
Quando no direito do nosso exercício, enquanto representantes da opinião pública, fomos fazendo alguma pressão no sentido de mover a direcção da Federação Angolana de Futebol a indicar o novo seleccionador nacional, fomos em algumas ocasiões incompreendidos e quiçá tomados por intrometidos, mais preocupados com questões alheias que outra coisa.

Mas a verdade é que todo o movimento de pressão exercido visou somente chamar a atenção de quem de direito quanto ao rigor da impiedade do tempo perante a necessidade de compromissos que se desenhavam no horizonte. Afinal, não havia motivos para tanta contenção quando à partida já se sabia quem era o novo comandante da Selecção Nacional.

É evidente que em todas as negociações contratuais não chega tomá-la “esta palha e zás”, estão as coisas acertadas. Sabemos que existem propostas e contrapropostas, e estas arrastam-se por algum tempo, mas um tempo que deve ser calculado para não exceder os prazos considerados razoáveis e aceitáveis. Ora, o que aconteceu foi o anúncio do seleccionador próximo da primeira Data FIFA do ano, sem margem de manobra para eele poder convocar e dispor dos atletas em tempo útil.

O técnico foi apresentado no dia 18 e tratou de fazer a convocatória na passada terça-feira, dia 25. Tendo havido jogos de antecipação da segunda jornada do Girabola ontem, não podia juntar os atletas, o que só vai acontecer no domingo próximo. Disputando-se o jogo com Moçambique na quarta-feira, dia 5 de Março, está claro que a equipa vai apresentar-se neste jogo com apenas uma ou duas sessões de treinos. Sabemos que o jogo não qualifica para nenhuma competição, mas não deixa, ainda assim, de ser um jogo que por várias e redobradas razões deve ser respeitado.

Por aqui dá para perceber que continuamos na mesma bitola: mal. Se as coisas tivessem sido feitas antes, tínhamos a selecção formada há mais tempo e já a trabalhar, até porque integrada por caras novas, que nunca tinham jogado juntas, bom seria que tivessem algum trabalho conjunto, sempre útil no ensaio de jogadas combinadas.

Não há isto e o que vamos ver no jogo de Maputo talvez seja uma insípida salada futebolística. Sabemos à partida qual vai ser a linha de discursos quando as coisas no campo não correrem de feição. "É uma equipa cheia de juventude que nunca tinha actuado junta", "É uma equipa que procurou dar o seu máximo, mas temos de fazer algum desconto às falhas porque dispôs de pouco tempo de trabalho", blá, blá, blá. Sempre actuamos assim, sai Inverno entra Primavera. Precisamos de mudar e com urgência. Porque se não, de nada vale a política de mudança de treinadores.

Porque sai o A entra o B, se o factor organização não funcionar continuamos no marco zero. Fazer as coisas sempre à última hora tem os seus resultados, que nunca foram fabulosos em nenhum projecto. Oxalá, quando chegar a verdadeira competição, as coisas registem melhorias. Haja organização, porque neste andar da carruagem qualquer dia até um leigo em futebol chega à conclusão de que para o “boom” que se precisa vai ser preciso mudar tudo e todos.

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