Jornal dos Desportos

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Opinio

Atenes viradas para Marrocos

13 de Janeiro, 2018
A África vive a euforia de mais uma prova continental. Não é seguramente pela dimensão da prova - rainha em termos de selecções no continente, a fase final da Taça de África das Nações, mas pela competição que tem a particularidade de ser restrita a jogadores que evoluem nos respectivos campeonatos, assim, têm uma janela para se mostrarem aos “olheiros”.
Marrocos foi o país escolhido para albergar a quarta edição do CHAN, por causa da organização retirar o Quénia que manifestou dificuldades acrescidas no cumprimento de prazos estabelecidos pela Confederação Africana de Futebol, ou seja, no concernente à construção de infra-estruturas. A partir de hoje, 16 selecções procuram chegar ao lugar mais alto do topo, numa corrida que se vai prolongar até aos primeiros dias de Fevereiro.
Angola marca presença na competição, está num grupo que reúne selecções cujo futebol é por nós conhecido, como o Congo Brazzaville, país que \"baptizou\" Angola no convívio internacional, logo após à proclamação da Independência Nacional em 1975. Os Camarões, nos confrontos com Angola, têm um historial vitorioso tal como o Burkina Faso outra selecção com a qual também partilhamos o grupo para fase de qualificação para o CAN dos Camarões, no próximo ano.
E, desde logo, é bom que se diga que das três participações angolanas, essa é a que teve a preparação mais sofrível. A indicação do seleccionador nacional dos Palancas Negras a pouco mais de um mês para a estreia na competição, espelha o desnorte a que o futebol nacional esteve submetido, além da indefinição que reinou para a eleição dos 23 jogadores para esta campanha, desde logo, sem qualquer jogador do actual campeão nacional, 1º de Agosto.
Ainda assim, é preciso acreditar no valor dos jogadores que vão evoluir a partir de terça-feira em Marrocos, pois, como soe dizer-se, só os presentes fazem falta, certamente que os jogadores seleccionados têm noção das suas responsabilidades.
Vá, que vai engrossar a lista de angolanos na diáspora, pelo clube Leixões de Portugal da segunda liga daquele país, é um dos jogadores que deve estar ansioso em mostrar trabalho pelos Palancas Negras, em vésperas da sua \"aventura europeia\".
Para os angolanos, o segundo lugar obtido pela selecção na primeira participação no Sudão, foi algo ofuscado pela eliminação precoce, no Ruanda, mas mesmo com a deficiente preparação, é preciso acreditar que a equipa pode passar da fase de grupo e a partir daí, estabelecer outra fasquia a ser alcançada.
Cada jogo vai ser um jogo para os Palancas Negas, num torneio em que a estreia acontece com o Burkina Faso, ao que se seguem os Camarões e o Congo Brazzaville, formações acima da nossa no ranking internacional, mas tal como nós, procuram dar visibilidade e oportunidade à prata da casa, ofuscada pelas grandes estrelas nas provas de maior dimensão, apuramento e participação em campeonatos do Mundo, ou mesmo na corrida e participação ao CAN, quando os seus países se qualificam.

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