Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Ateno aos nossos recintos desportivos

26 de Janeiro, 2019
“O Estado das Infra-estruturas Juvenis e Desportivas”, “Manutenção das Infra-Estruturas” e “Modelos de Gestão de Infra-estruturas Juvenis e Desportivas” foram os temas debatidos, durante um fórum realizado esta semana e promovido pelo Ministério da Juventude e Desportos. Na verdade, tratou-se de uma abordagem bastante oportuna, se atendermos a situação actual em que muitas infra-estruturas do sector se apresentam.
No encontro realizado no Memorial Doutor António Agostinho Neto, o ministro da Construção e Obras Públicas considerou, que o estado técnico de muitos destes edifícios é desolador, pelo facto de pouco ou nada ter sido feito para a sua eventual conservação.
Manuel Tavares assegura, que a conservação e gestão das infra-estruturas desportivas espalhadas por todo país, pode ser assegurada com aposta na formação do ponto de vista patriótico e cívico, como frisou na abertura do fórum quarta-feira última.E de facto, parafraseando o ministro, a lição que se tira, depois de muitos anos a reabilitar e a construir edificações públicas, é realmente triste.
A titular da pasta do Minjud, por seu turno, fez um apelo rigoroso nesse sentido, realçando que a concepção de um modelo de gestão das infras-estruturas, vinculadas a este órgão, não é uma tarefa fácil e de exclusiva responsabilidade do seu pelouro, mas que, acima de tudo, deve envolver toda sociedade. A ministra Ana Paula Sacramento Neto justifica, para o efeito, tratar-se de um compromisso, que deve ser abraçado por todos e que por essa razão houve a “prestimosa colaboração de outros departamentos ministeriais”, do sistema desportivo, especialistas de diversas áreas e líderes juvenis.E nesse quesito, como disse, o Minjud há-de trabalhar no sentido de fazer cumprir as recomendações deste fórum para, de forma gradual, ir implementando as mudanças que se julgam necessárias e que se impõe fazer, para o efeito.
Como é óbvio, já se impunha a realização de um encontro do género, para daí se buscarem a melhores soluções possíveis para “acudir” o estado crítico e desolador, que se apresentam as infra-estruturas desportivas espalhadas por todo o país.
Um exemplo vivo é o que acontece com os estádios nacionais da Tundavala, do Ombaka e do Chiazi, nas províncias da Huíla, Benguela e Cabinda, erguidos no âmbito da realização da Campeonato Africano das Nações em futebol, que o país albergou em 2010.
A par do Estádio Nacional 11 de Novembro, essas demais três infra-estruturas oneraram bastante aos cofres do Estado e, por isso, mereciam uma melhor tratamento quer em termos gestão, quer nos aspectos concernentes à sua utilização.
A excepção do 11 de Novembro, que tem albergado jogos do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão e de outros que envolvem as diferentes Selecções de Futebol do país, os estádios da Huíla, Benguela e Cabinda, durante algum tempo, serviam para outros fins que nada tinham a ver com o desporto e o futebol, em particular. Daí impõe-se fazer recurso à velha máxima de que dê a César o que é de César, para desse modo se encetar um melhor aproveitamento destas infra-estruturas e assim pôr-se fim ao chamado luxo na miséria, que deixou muitos elefantes brancos, com esse processo da má gestão, como resto se avançou numa reportagem publicada no Jornal de Angola, esta semana. Coloquemos mãos à obras meus senhores...

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