Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Boa propaganda

17 de Fevereiro, 2014
Apesar dos percalços antes da sua realização, o Campeonato Nacional sénior feminino de basquetebol que o Cuito albergou foi uma boa propaganda para a modalidade por aquelas paragens, e os frutos dessa opção podem sentir-se num futuro breve, se houver vontade de quem de direito em aumentar a prática da bola ao cesto entre as senhoras em toda a extensão do território nacional.

De facto, e se atendermos que Angola é campeã continental, título conquistado em Maputo no último Africano e com assento assegurado no próximo Campeonato do Mundo, além dos títulos de clubes, não custa adivinhar o interesse que o basquetebol vai despertar junto das nossas senhoras.

Mesmo com um número diminuto de equipas das províncias, onde a Huíla e Benguela se fizeram representar por mistos, é necessário aproveitar o entusiasmo que se verifica agora para o relançamento da modalidade no seio da classe.

O campeonato do Cuito, sem ter tido uma dimensão verdadeiramente nacional, com uma grande representatividade das províncias, não foi circunscrito apenas aos clubes de Luanda, como já aconteceu em algumas ocasiões, o que, desde já, acaba por ser um bom indicativo, quanto ao futuro promissor que se pretende desenhar.

É evidente que em termos desportivos havia sempre uma grande discrepância entre as equipas de Luanda, mais rodadas e algumas até habituadas à alta-roda continental, como o Interclube, que se tornou o novo campeão e o 1º de Agosto, e os participantes das províncias, quase sem competição regular e até formadas para suscitar o interesse de novas praticantes nas suas paragens.

E esse último aspecto deve ser bem aproveitado para a expansão que se pretende porque nesta primeira fase os resultados pouco importam, sendo necessário não deixar fugir todos os interessados em dar corpo a um projecto de massificação na classe, com o devido desenvolvimento da modalidade a partir dos escalões mais baixos.

Angola é bicampeã africana por mérito próprio, mas num momento em que tem uma competição interna reduzida. Os clubes devem receber incentivos para introduzirem a prática do basquetebol entre o lote de modalidades praticadas no seu seio para que haja o alargamento, gradual, do número de praticantes no país que possam sustentar as diversas Selecções Nacionais.

O basquetebol feminino está em tempo de graça e certamente que o país vai andar na boca do mundo por altura do Mundial da Turquia, no qual as nossas atletas vão jogar ao mais alto nível com as melhores jogadoras do planeta.

Uma boa altura, pois, para mostrar a beleza e o encanto da modalidade aos que se mostram receosos no investimento que deve ser feito e às interessadas em começar a sua prática.

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