Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Bodas de prata

31 de Janeiro, 2019
Há 25 anos, num dia como hoje, tomados pelo senso profissional de melhor servir o desporto, cujas acções já impunham uma imprensa mais dinâmica e interactiva, fizemo-nos à estrada para dar corpo e alma a um projecto editorial arrojado e ambicioso. Chegava às bancas o primeiro número do Jornal dos Desportos, protagonizando uma agradável surpresa ao leitor e aos fazedores do desporto, quase cinco anos depois da extinção do JDM-Jornal Desportivo Militar, o primeiro de especialidade no pós-independência.
Enquanto os agentes desportivos, efusivos, agradeciam a iniciativa da direcção da Edições Novembro, voltada à diversificação dos seus produtos editoriais, em nós reinava a incerteza, a dubiedade, a perplexidade no êxito do desafio assumido. Iremos longe? Temos pernas para a maratona que o projecto impõe? Confiamos ao tempo as respostas de todas as inquietações. Pelos vistos, temos conseguido sobreviver aos bons e aos maus tempos que envolvem qualquer projecto desafiante. Ao contrário, já cá não estaríamos, volvidos 25 anos.
Orgulhamo-nos, por tudo isso, de nós mesmos, por sermos esta equipa dedicada e determinada a fazer aquilo que abraçou e gosta. \"Quem corre por gosto não se cansa\", lá diz um conhecido aforismo. De 1994 até 2019 as barreiras foram várias. E talvez não seja nenhum desatino, tampouco deselegância, dizer, com toda franqueza, que em certos momentos deste percurso não fomos bem vistos na própria casa em que nascemos.
Tem nos valido a nossa sagaz capacidade de gerir situações. Nunca, em momento algum, nos incomodamos com aqueles que investiam no fracasso de um projecto que, pela determinação dos seus artífices, assenta em sólidas vigas estruturais. Logo, fadado à vitória. É certo que nos inquietaram sempre alguns aspectos de suma importância, ignorados pelas anteriores chefias, como a superação de quadros, a aposta em jovens, como garante da continuidade do jornal.
No período de 2007 a 2017 - pasmem-se - o jornal não registou a admissão de nenhum repórter, quando, dia sim, dia não, jovens saídos de universidades, com formação em Ciências da Comunicação, batiam à porta da nossa redacção. Em meio a esta decisão aprendemos a ajeitarmo-nos com aquilo que tínhamos à mão, fazendo ajustes aqui e ali, sempre que um colega nos deixasse, por milite de idade(reforma), por desvinculação ou pela fatalidade da vida(morte).
Não se confere longevidade a um projecto sem que se aposte e se invista na base. Por isso, a determinada altura receamos o fim, sentimos que as fundações do edifício estavam em estado de erosão. O buumm parecia inevitável. Como não há mal que dure para sempre, vivemos tempos novos, que permitem sonhar e acreditar na continuidade, não dos homens, mas do projecto, sendo afinal o que mais interessa, sobretudo a quem teve um dia impressões digitais na sua concepção.
Não se deve perder de vista que constrangimentos limitam a criatividade, beliscando com isso a qualidade do produto final. Os 25 anos que hoje assinalamos não foram de rosas e flores. A determinada altura o desânimo, como que uma pandemia de gravíssima acção contagiosa, apossou-se de todos. É o destino incontornável de um vilipendiado.
Mas há que se dar a volta por cima, até porque os tempos são outros. Exigem que se faça mais e melhor. Vivemos alguns problemas de natureza técnica, que nos limitam a três edições semanais, quando já tivemos uma presença diária nas bancas. É consolador saber que o Conselho de Administração da Edições Novembro não se tem poupado a esforços no sentido de ver a situação normalizada.
Aqui chegados, e na esperança de uma reviravolta, que se pretende profunda no jornal, tornando-o mais atractivo e arejado, os nossos agradecimentos a todos agentes desportivos, nossos parceiros nesta ingente empreitada, pela colaboração, embora vezes em conta fecharam-se em copas, o que é perfeitamente compreensível no relacionamento medias/agentes desportivos.
Seria, entretanto, uma injustiça sem tamanho, colocar ponto final a este escrito, sem uma palavra de apresso aos colegas que estiveram connosco na primeira hora: António Ferreira \"Aleluia\", Policarpo da Rosa, Salas Neto, Béu Pombal, Amândio Clemente e Fernando Cunha. O dia é de todos nós...

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