Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Caminhos cruzados

10 de Fevereiro, 2014
As quatro equipas representantes do país nas competições africanas de clubes tiveram sortes diferentes na primeira ronda disputada no fim-de-semana. Duas saíram a vencer e outras duas deixaram os créditos em mãos alheias. Não é nenhum escândalo nacional, porque no desporto as coisas funcionam assim mesmo. O desfecho do jogo tanto pode ser com vitória como com derrota.

Esperamos, porém, que as que foram mal sucedidas consigam dar a volta por cima nos jogos da segunda mão, para que a sua fama não fique apenas pela estreia na competição. Sobretudo no caso do Petro de Luanda, que já não é equipa de ir às Afrotaças para sentir apenas o cheiro da prova e ficar logo na curva a seguir. Ao Desportivo da Huíla talvez possamos dar algum desconto.

Em todo o caso, convém sempre ter em conta a particularidade de ambas não terem tido em sorte adversários com nome de topo no futebol africano. Namibianos e gaboneses praticam bom futebol, disso temos conhecimento, mas, ainda assim, no quadro das comparações ficam muito aquém daquilo que são as equipas de países rotulados como de forte tradição no futebol africano.

Portanto, se fracassassem diante de equipas de países como o Gana, Costa do Marfim, Nigéria, Egipto e Tunísia, estávamos entendidos. Poucas foram as vezes que as nossas equipas se impuseram perante representantes destes países. Mas, tratando-se de namibianos e gaboneses, estamos no direito de exigir às nossas equipas que façam alguma coisa no sentido do “volte-face”, até porque os jogos da segunda mão são os que assumem carácter determinante.

Bom começo tiveram as equipas do Kabuscorp do Palanca e do 1º de Agosto. Nestas duas, algo vai dizendo que podem estar depositadas as esperanças de o nosso país vir a assinalar uma excelente campanha na competição africana. Pelo menos, tanto uma como outra mostrou arte e engenho no jogo que disputou. E os resultados obtidos nos jogos do último fim-de-semana abrem perspectivas bastante animadoras para os derradeiros 90 minutos da eliminatória.

É claro que a realidade do futebol africano exige sempre de nós alguma cautela no enquadramento das coisas. Não foram poucas as vezes que equipas que partiram para a segunda mão em posição de vantagem viram as coisas a tomar um rumo inverso. Mas esperamos que isso não venha a ocorrer com as nossas representantes. Mais do que nós, elas próprias dominam este dossier.

De resto, o que por ora interessa é apenas arregaçar as mangas, para se melhorar o que eventualmente não esteja bem, de modo a que possam juntar o entrosamento necessário, nos 90 minutos dos jogos reservados para o próximo fim-de-semana. Em resumo, dir-se-ia que nada está perdido para as equipas que se saíram mal e também nada está ganho para as vitoriosas da primeira mão.

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