Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Campos vazios

03 de Abril, 2015
O futebol deve ser espectáculo e os seus actores devem sempre esforçar-se para darem a quem paga para os ver uma sensação de conforto para se deliciarem.

Alguns clubes investiram para o presente campeonato em jogadores e treinadores e é lícito pensar que a qualidade do futebol praticado aumente. O Kabuscorp, que esta época não conseguiu, como era seu desejo, trazer Ronaldinho Gaucho como reforço, o Estádio dos Coqueiros, onde normalmente joga, começa a ser pequeno para acolher os adeptos e não só do conjunto palanquino.

Campos vazios indiciam indiferença dos adeptos que pode ter como base de sustentação uma eventual qualidade sofrível do próprio futebol, tanto no aspecto competitivo como na sua organização. Sem conforto nos estádios os adeptos perdem o interesse de para lá se deslocarem, aliado isto ao facto de não se sentirem motivados para o apoio aos seus clubes de coração que volta e meia os defraudam.

O Petro de Lunada tem muitos adeptos e não se percebe por que razão inibiu as pessoas de se deslocarem ao 11 de Novembro, até porque se tratava de um jogo importante, a julgar por aquilo que também representa o Recreativo da Caála, que mesmo não sem nenhum título no palmarés é uma equipa que tem dado muito boa conta de si.

Num outro ângulo, a trajectória do Petro de Luanda dá nas vistas. Com uma preparação algo discreta na pré-época, em que trocaram o Brasil pela vizinha África do sul, os petrolíferos já assumiram a segunda posição da classificação geral, sendo das mais prometedoras num restrito grupo em que estão incluídos o Recreativo do Libolo, na qualidade de campeão nacional, bem como o Kabuscorp e o Interclube.

O Petro teve um começo de campeonato não muito explosivo, mas logo despertou e galgou degraus que o colocam na actual posição classificativa, constituindo uma ameaça ao líder. A passada do Petro cria alguma estranheza a algumas sensibilidades e para a sua direcção o título não constitui prioridade para a presente temporada.

Um bom começo de campeonato significa que o trabalho de casa foi bem feito, num ano em que os clubes investiram muito na preparação da temporada, a maioria com estágios no estrangeiro.

É certo que ainda vamos na segunda sétima e o percurso é longo e o cenário que vimos terça-feira no 11 de Novembro, pode não voltar a acontecer. Mas, para isso, os clubes e os seus adeptos não podem estar de costas viradas. Os primeiros devem melhorar a sua prestação em cada jornada, para que os segundos tenham motivação e estado de espírito suficientes para os animar ao longo de toda a caminhada.

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