Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Candidatos receosos

18 de Maio, 2014
No topo, a luta pelo título está animada, apesar da "ausência" de três equipas que à partida deviam estar entre os líderes da prova, designadamente o 1º de Agosto, Petro de Luanda e Interclube. Estes emblemas tiveram uma falsa partida na prova e agora procuram a estabilidade para manterem a esperança de poderem continuar a ser vistos como candidatos ao título.

Enquanto militares, petrolíferos e polícias se realinham, três outras equipas estão, nesta altura, em despique directo. Recreativo do Libolo, Benfica de Luanda e Kabuscorp do Palanca, por esta ordem, assumem as despesas da prova no que à liderança da prova diz respeito.

Entretanto, as duas primeiras equipas, apesar de bem posicionadas e de estarem a mostrar bom futebol desde o início do campeonato, não assumem a candidatura ao título. Numa altura em que o Girabola caminha para o fim da primeira volta, faltam apenas três jornadas, Recreativo do Libolo, bicampeão nacional, e Benfica de Luanda, actual segundo classificado, desvalorizam a hipótese de poderem vir a ser campeões nacionais.

No seio destes dois emblemas, o discurso transmitido para o exterior é convergente, dirigentes: técnicos e atletas estão em perfeita sintonia. Ninguém assume que a sua equipa é candidata ao título, não obstante todos os atributos que possuem e têm demonstrado em campo, com resultados e nível competitivo a constituírem-se como factos probatórios materiais.

O actual líder, Recreativo do Libolo, tornou-se bicampeão nacional, depois de ter conquistado o Girabola de 2011 e de 2012. No ano seguinte, fez um campeonato para esquecer. De campeão só tinha o rótulo, tendo, durante mais de metade da primeira volta, ocupado os últimos lugares da tabela, com o vexame inclusive de ser o lanterna vermelha da prova. No final das contas, e depois da mudança de técnico, conseguiu uma ligeira recuperação, terminando o campeonato num modesto oitavo lugar.

Contrariamente, o Benfica de Luanda nunca foi uma equipa do topo do Girabola. Lutou sempre para estar entre os cinco primeiros classificados, embora nem sempre tenha conseguido essa proeza. Este ano, porém, fez um enorme investimento, solicitando o regresso do técnico Zeca Amaral e contratando vários jogadores, entre nacionais e estrangeiros, que vieram dar outra consistência ao grupo, justificando-se, por isso, a actual classificação na prova.

Apesar destas evidências, tanto libolenses como encarnados preferem manter um discurso contrário ao senso, ou seja, dizem publicamente que pretendem apenas melhorar a classificação, quando no fundo as coisas não são bem assim. Pensamos que os discursos receosos que os elementos das duas equipas fazem para fora visam apenas evitar euforias e, quiçá, distrair os principais concorrentes.

Internamente, acreditamos, a conversa é outra. É claramente um discurso de incentivo, de moralização do grupo de trabalho para aquilo que pode ser uma realidade se houver crença, muito trabalho, respeito pelos adversários e, sobretudo, muita humildade.

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