Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Cenrio desmontado

06 de Novembro, 2014
Correram ontem as cortinas sobre o Girabola. Foram oito meses de correrias infernais, as equipas cruzaram o país, pese embora geograficamente o campeonato continue a ter pouca expressão nacional, uma vez que é disputado em apenas nove das 18 províncias. Apesar de tudo, devemo-nos dar por felizes porque tem havido algum progresso. Em 2009, a prova foi disputada em sete províncias, depois evoluiu para oito e chegou a nove, é sinal positivo. Não tivesse o União do Uíge baixado de divisão, podíamos ter dez províncias em 2015, com a inclusão do Bengo.

Mas não é isso que está em causa. O que interessa agora trazer à baila, é a forma pouco competitiva como a prova foi disputada. Diga-se, que o Libolo carregou o acelerador ao fundo, quase desde o arranque, deu uma diferença pontual abismal em relação às outras equipas. Valeu a reacção espontânea do Kabuscorp, já na ponta final, para dar um ar de graça à competição. E o Kabuscorp pode ter sido, o principal derrotado.Pois, nas vestes de campeão em título e uma das equipas de que mais se esperava, acabou por perder o ceptro. Fez uma prova não muito ao seu estilo, o que acabou por determinar a sua classificação final, muito aquém da edição passada em que passeou classe à toda a largura.

Quanto aos tradicionais, Petro e 1º de Agosto, pouco ou nada há a dizer. Mas uma leitura mais apurada, não devemos tomar os reveses destas, como consequência de alguma decadência, antes, como reflexo do ascendente das outras equipas, que no passado perfilavam na linha dos chamados “parentes pobres”. Vimos, por exemplo, um Benfica de Luanda muito ousado no campeonato, a equipa dos Bravos do Maquis muito sonhadora. Aliás, a equipa de Zeca Amaral acabou classificada em terceiro lugar, um feito à todos os títulos brilhante, que vem premiar a excelente exibição evidenciada.

Enfim, pode dizer-se que o campeonato deu-nos a ver, que o monopólio Petro de Luanda/1º de Agosto chegou ao fim. O investimento e as apostas das outras equipas há muito que davam sinais de inverter o quadro. O 1º de Agosto, apesar do que é e sempre foi, vai ter de contentar-se com o quarto lugar. Para alguns, talvez ruim, à despeito do estatuto, mas que mereceu em função da prestação que teve ao longo da época. O mesmo se pode dizer com relação ao Petro de Luanda, que ficou na posição a seguir.

Em suma, a prova também foi fértil em surpresas. Veja-se que equipas como o ASA, Interclube e Progresso, bem referenciadas ,também andaram à deriva, a fugir do espectro da despromoção, à mesma velocidade que o diabo foge da cruz, enquanto o 1º de Maio, o Benfica do Lubango e União Uíge acabaram por ser despromovidas.Em breves linhas, tivemos um campeonato razoável, pena que tenha faltado alguma garra às outras equipas, para evitarem a decisão do título quase à meio do segundo turno, o que não é salutar, revela um desnível acentuado entre o campeão e outros concorrentes, em termos de maturidade competitiva e até mesmo de sentido de organização.

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