Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Chegada dos palancas

06 de Fevereiro, 2016
A Selecção Nacional de futebol que competiu no CHAN'2016, cuja final está marcada para amanhã, chegou a meio da semana passada a Luanda. Tudo se passou num absoluto e incompreensível silêncio. A excepção de alguns dirigentes da Federação Angolana de Futebol e familiares dos integrantes da comitiva, ninguém mais esteve presente na recepção da equipa nacional.

Portanto, o cenário esteve longe da fanfarra que tem caracterizado o regresso das nossas Selecções ao país, quando bem sucedidas na competição. O povo esteve completamente indiferente. Compreende-se que o estado de ânimo é sempre outro quando se atinge o pleno. E daí, talvez, a razão da frieza revelada pelo público, desta vez.

Entretanto, reconheçamos que apesar de não ter logrado sequer a passagem para a fase de grupos, ainda assim, a equipa regressou ao país com a honra lavada, face a vitória no último jogo sobre a Etiópia. Portanto, não foi o mesmo que terminar na última posição. O terceiro lugar serve para a consolação.

A selecção apesar de se ter apresentado desarticulada no campeonato do Rwanda, comparada com a que no Sudão atingiu a final do torneio, fez tudo mais alguma coisa para não voltar à casa de mãos a abanar. Não atingiu a posição classificativa que se pretendia e esperava , mas evitou o vexame. Em resumo, não foi nenhum saco de pancadas na prova.

Podia não merecer uma recepção apoteótica, só proporcionada aos campeões, mas ao menos um pouco mais de carinho daqueles que ao longo dos anos a têm acompanhado nos bons e maus momentos. Não foi o que aconteceu. A equipa desembarcou como se estivesse a chegar de um estágio preparatório. Longe de quaisquer holofotes.

Se calhar, precisamos de aprender a sorrir na diferença. Precisamos de aprender a acarinhar os nossos heróis quer regressem vitoriosos ou vergados ao ónus do fracasso. O importante é dimensionar cada uma das circunstâncias. Até porque fracassar numa prova da grandeza do CHAN, com vários colossos do futebol africano, deve merecer sempre algum desconto.

Terá sido a forma encontrada para penalizá-los, pela não concretização do objectivo? Pensamos que não deve ser este o conceito ou o procedimento de um povo com a maturidade desportiva do angolano. Em desporto as circunstâncias reservam-nos dois destinos: a vitória ou a derrota e não devemos olhar para as nossas equipas como as superdotadas, aquelas fadadas apenas para a vitória. Elas também podem perder. Não foi, por tudo isso, simpático o ambiente reservado à selecção no regresso ao país.

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