Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Chicotada d frutos

15 de Junho, 2014
Os resultados são o abono de família dos treinadores. Se ganham, todos correm a abraçá-lo, se perdem torna-se o maior inimigo dos dirigentes e dos associados.

Para ser bem-sucedido, há que percorrer um longo e íngreme caminho, ao longo do qual, perante pressões de todos os lados, os técnicos têm de ter consciência das capacidades (pessoais e da equipa), mas, acima de tudo, das limitações, potenciando as primeiras e superando as últimas.

O que escrevemos atrás vem a propósito daquilo que se passou na época passada e este ano com a equipa de basquetebol feminino do 1º de Agosto.

Em 2013, a equipa do Rio Seco, sob orientação técnica de Aníbal Moreira, perdeu todas as competições nas quais participou, entre nacionais e internacionais. Algumas delas, nos últimos segundos da competição. O grande carrasco das senhoras do Rio Seco foi o Interclube.

Em função do fracasso, a direcção do 1º de Agosto optou por afastar Aníbal Moreira, que passou a integrar o quadro de técnicos que trabalham com as equipas de formação, e entregar o comando da equipa feminina a Jaime Covilhã, que conhece bem os cantos à casa e já conquistou um título continental como técnico da equipa masculina.

A aposta da direcção da equipa militar foi a mais acertada, já que Aníbal Moreira já não tinha clima para continuar à frente da equipa. O seu trabalho esgotou-se. Não teve habilidade para levar a equipa à conquista de títulos.

Sob comando de Jaime Covilhã, o 1º de Agosto resgatou os títulos perdidos a temporada passada para o seu grande carrasco, o Interclube. Primeiro foi o "Provincial", seguiu-se o Campeonato Nacional disputado em Benguela e, por fim, a Taça de Angola. Para completar o leque de títulos perdidos falta a Taça de África dos Clubes Campeões, ainda sem local para a sua disputa.

Perante este quadro não temos dúvidas em dizer que há chicotadas benéficas. Que dão frutos. Se existem aquelas que não resultam, outras, como esta da equipa feminina do 1º de Agosto, demonstram que um técnico deve conhecer a mística do clube, conhecer por dentro a sua estrutura.

Jaime Covilhã foi jogador do 1º de Agosto e foi galgando, degrau após degrau, a estrutura formativa que se exige a um técnico. Por isso, os três títulos conquistados com a equipa feminina não são senão uma sequência da capacidade que já granjeia a nível profissional.

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