Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Chicotadas vista

14 de Maio, 2015
A três jornadas do término da primeira volta do Girabola, alguns técnicos podem estar por um fio se as equipas que orientam não mudarem o comportamento titubeante que têm revelado neste primeiro turno e que as pode deixar em maus lençóis, no fim do campeonato.

Quando se esperava, que este ano as coisas fossem ser diferentes, em termos de chicotadas psicológicas, dada a forma como as direcções resolveram, antecipadamente, a questão da contratação dos treinadores, uns apostaram na permanência e poucos na renovação, o despedimento de treinadores não foi uma excepção.

Até parece, que as chicotadas psicológicas transformaram-se em regra e a continuidade dos treinadores nas equipas, virou excepção. Nos últimos cinco/seis anos não houve nenhuma edição do Girabola, em que não se tenha mandado para o olho da rua um técnico. Melhor dito, mais de um treinador.

No ano passado, o expediente usado pelas direcções para afastar a pressão dos adeptos, foi usado em várias ocasiões. Das 16 equipas, sete resistiram à tentação, enquanto nove não tiveram meias medidas para com os treinadores. Kabuscorp do Palanca, Petro de Luanda, 1º de Agosto, FC Bravos do Maquis, Interclube, Desportivo da Huíla, Recreativo da Caála, União do Uíge e 1º de Maio de Benguela mexeram nas respectivas equipas técnicas. Foi um recorde de despedimentos.

Este ano, algumas equipas decidiram começar a temporada com novos treinadores: Progresso Associação do Sambizanga, Kabuscorp do Palanca, Recreativo do Libolo, ASA, FC Bravos do Maquis e Recreativo da Caála fizeram as apostas. Três delas, mexeram nas equipas técnicas, antes do primeiro terço da prova. Os caalenses, sambilas e palanquinos requisitaram outros treinadores. A estas três equipas juntam-se ainda o Sagrada Esperança e o Domant FC.

Pelo andar da carruagem, tudo indica que as coisas não vão ficar por aqui. No ASA, o técnico Roberto do Carmo “Robertinho” recebeu já um ultimato para voltar a colocar a equipa nos carris, sob pena de ver o contrato interrompido. No Desportivo da Huíla, na Caála e no Domant as coisas não caminham bem, apesar de na última jornada terem visto uma luz acesa no fundo do túnel.

Mesmo sem ter anunciado que era candidato ao título, o desempenho do Petro de Luanda está muito aquém do esperado, com a equipa mais titulada do Girabola a ocupar nesta altura a nada famosa 11ª posição.

Portanto, temos a sensação que mais tempestade vem pela frente. Até à disputa da última jornada e da forma como tem sido os resultados de algumas equipas, é bem possível que mais chicotadas psicológicas estejam à vista. Contudo, vamos esperar para ver.

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