Jornal dos Desportos

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Opinio

"Chicotadas" mais cedo

16 de Fevereiro, 2017
As “chicotadas” este ano começaram pelos vistos mais cedo no Girabola, o que pode ser um prenúncio do que será a época desportiva, que ainda vive os seus primeiros dias, tendo como grande monta o campeonato nacional da primeira divisão.

Tudo começou no Interclube, em que quase discretamente o treinador principal foi rendido pelo seu adjunto. Na formação da polícias tem sido hábito as mudanças nunca serem muito publicitadas, e este ano a saída do então treinador principal, o português Filipe Moreira que alegou razões familiares para o rompimento do contrato com o conjunto angolano, rendido pelo seu compatriota Paulo Torres foi a primeira mudança de vulto em termos de treinadores num clube do Girabola.

Agora foi a vez de Agostinho Tramagal ser chicoteado no JGM do Huambo, um dos caloiros do presente campeonato, e que tem o seu baptismo adiado, no jogo que vai disputar com o 1º de Agosto, encontro transferido para data a anunciar pela Federação Angolana de Futebol, por indisponibilidade do conjunto militar, de momento, dado o seu engajamento nas competições de clubes da Confederação Africana de Futebol.

Uma saída pouco abonatória para o treinador que nem teve o gosto de desfilar na primeira divisão, após ter sido recrutado em meados do ano passado para dirigir a equipa no Girabola, certamente com um projecto ambicioso para o conjunto, em que o grande objectivo era a manutenção nesta sua primeira temporada entre os grandes do futebol nacional.

A experiência do treinador nessas andanças do escalão maior do futebol, com passagens por formações como o 1º de Maio de Benguela e Atlético Sport Aviação, era um dos trunfos do novo girabolista, cujo apuramento à primeira divisão foi fortemente festejado pelas populações locais. A estabilidade de um clube também é medida pela forma como consegue lidar com os treinadores, e nesse caso, a turma do Huambo dá indícios de não estar bem, dado que o técnico ora despedido já tinha substituído o treinador que conseguiu levar o conjunto à primeira divisão.

“Chicotear” um treinador mesmo antes de entrar em competição acaba sempre por ter repercussões negativas no seio do grupo de jogadores, que vão ter de acostumar-se, se calhar, a uma nova metodologia de trabalho do novo técnico que se seguirá.Sem ainda ter começado a disputa, o JGM vai viver o dilema do que é despedir um treinador, e que é sempre um pau de dois picos, pois tanto pode ajudar a equipa a melhorar os seus índices competitivos, como pode afundá-la ainda mais, dado que nem sempre é a solução mais viável para o conjunto.

De resto, é importante saber que motivações estiveram na base do rompimento de Tramagal e o JGM, para se chegar mais ao fundo da questão. Mas que houve “chicotada” lá isso houve.

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