Jornal dos Desportos

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Opinio

Clssico envelhecido

26 de Fevereiro, 2017
Novidade não é o facto da formação campeã nacional ter vencido. É a forma fácil como o fez, quase sem resistência da turma adversária mesmo sem se aplicar a fundo como deu para constatar. Mudam os tempos e mudam as coisas.

Decididamente, 1º de Maio-1º de Agosto ou inverso, deixou de ser o clássico que foi no outro tempo. Não há mais equilíbrio em termos de valores quer individuais, quer colectivos. O emparceiramento que antes tinha a particularidade de mobilizar todo um país, hoje não passa de um jogo qualquer. Só quem viveu os anos 80 estará em condições de explicar aos mais novos o que era um jogo entre estes dois emblemas.

Infelizmente do lado da formação benguelense motivos de vária ordem levaram a que não houvesse uma política de continuidade na formação de novos talentos. A falta de apoios, que antes vinham da poderosa África Textil, tem penalizado grandemente a equipa da Rua Domingos do Ó. Aliás, é basta olhar para a sua irregularidade no próprio campeonato, onde ora está presente ora está ausente.

A história do 1º de Maio se assemelha um pouco ao do ASA, sendo que a diferença consiste apenas no facto de a equipa do aeroporto nunca ter permitido a despromoção para o escalão inferior. Mas em termos de reacção competitiva as semelhanças estão à vista. Também o derby 1º de Agosto-ASA ou o contrário já não tem o fulgor de outro tempo, em que Luanda inteira parava para ver os dois colossos em acção.

Mas, sendo que é do 1º de Maio que nos propomos falar aqui, na verdade ninguém esperava por um resultado tão volumoso no jogo de ontem. Claro está que o 1º de Agosto, que até ostenta o estatuto de campeão nacional, podia muito bem sair vencedor no jogo, mas não por números tão expressivos, mais a mais porque os proletários se apresentaram na condição de anfitriões, logo deles se esperava um pouco mais de ousadia.

Entretanto, manda o bom senso fazer algum desconto no que dissemos sobre a formação benguelense, pois repescada à última hora para o Girabola onde acabou despromovido na edição anterior na sequência da desistência do Benfica de Luanda, é bem provável que se viu na contingência de forjar uma equipa às pressas, porque para a segunda divisão certamente tinha outras unidades em função do nível exigência do torneio.

Ainda assim, não há como não reconhecer que a facilidade com que o 1º de Agosto venceu o jogo fez-nos lembrar os bons tempos destas duas formações, quando nas hostes do Maio pontificavam jogadores como Fusso, Nzandú, Sarmento, Fidele, Maluka e demais e no 1º de Agosto Ndunguidi, Napoleão, Nsuka, Mané e outras feras daquela época.

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