Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Clubes e treinadores

27 de Abril, 2015
O Girabola caminha a passos largos para o término da primeira volta. Já só faltam cinco jornadas para o epílogo do primeiro turno e o campeonato está cada vez mais animado, do topo à base, onde a disputa prende-se entre a corrida pelo título e a luta pela não despromoção.

E na senda desta animação estão as inevitáveis saídas e entradas de treinadores. Como estes vivem de resultados, alguns começaram já a sentir o efeito das chamadas “chicotadas psicológicas”. Apesar de o então técnico do Caála, Bernardino Pedroto, ter sido a primeira vítima, outros treinadores estão igualmente na iminência de serem afastados do comando técnico das suas equipas.

Graças ao desempenho um tanto ou quanto irregular de muitas equipas, o receio de voltarmos a viver uma temporada com o afastamento de muitos treinadores volta a ensombrar o Girabola. Pedroto foi o primeiro técnico sacrificado de modo pouco explícito, com a direcção do clube a alegar problemas familiares do técnico luso.

Mas o que aconteceu logo a seguir no Sagrada Esperança não deixa de ser visto implicitamente como outra “chicotada psicológica”. A saída intempestiva do técnico Paulo Saraiva, ao que consta a seu pedido, foi somente consequência de uma despedida anunciada, embora o ex-técnico se tenha antecipado, alegando falta de clareza da parte da direcção do clube na definição de alguns critérios.

No Kabuscorp do Palanca os resultados intermitentes no campeonato nacional e o prematuro afastamento da fase de grupos da Taça dos Clubes Campeões Africanos foram como que o transbordar da água do copo, situação que terá deixado no ar a sensação de que o técnico Ljubomir Ristovski não estava suficientemente pronto para segurar uma equipa da grandeza do clube do Palanca. E a rescisão foi o caminho encontrado.

Na mesma senda esteve o treinador Mário Calado, no Progresso do Sambizanga. Técnico de credenciais reconhecidas, não teve sorte à frente da turma sambila. E na ausência de resultados a solução encontrada pela direcção do clube ou por ambas as partes, foi a rescisão do vínculo contratual.

Houve outras movimentações, como foi por exemplo a saída de Arsénio Túbia do Recreativo da Caála e de Albano César do Sporting de Cabinda. Mas em todo o caso são situações que quanto a nós não constituem novidade alguma, porque são recorrentes no nosso campeonato. Constata-se que há falta de paciência da parte das direcções dos clubes.

Não é que não se deva despedir um treinador, mas que haja um pouco de contemplação. Escapa a sensação de que para alguns dirigentes o lema deve ser apenas ganhar, só ganhar e nada mais. E quando este pressuposto falha, o caminho é o despedimento e mais nada, talvez por muitos entendido como a solução mais prática.

Na verdade, o que temos vindo a constatar é que quando as equipas se desfazem do treinador a quem recai a culpa dos maus resultados, mergulham numa maior crise. Raros são os casos em que há melhorias e ascensão na tabela. Por exemplo, no Caála, Túbia foi despedido na sequência dos excessos de empates. Porém, depois da substituição do treinador, o que veio a seguir foi uma série de derrotas. Haverá algum problema em dar-se aos técnicos alguma moratória?

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