Jornal dos Desportos

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Opinio

Comear por cima

18 de Outubro, 2017
Os arquitectos recomendam, que a casa seja construída da base até ao topo, e não, em sentido inverso. No entanto, para o nosso futebol em particular, para as duas competições tuteladas pela Federação Angolana de Futebol, é recomendável que se inicie do Girabola, para a Segundona.

Este exercício é suscitado pela pretensão do Presidente da Federação Angolana de Futebol, que quer reformular o modelo de disputa da competição, que dá acesso ao Campeonato Nacional de Futebol, Girabola. Para os adeptos do futebol, o Girabola devia ser a prioridade das prioridades, por diversas razões, sobretudo, por estas:

É uma prova descontextualizada, no actual contexto de dificuldades mil para os clubes, do topo a base, ou dos que disputam os títulos, e dos que lutam apenas para continuar na primeira divisão. É necessário, que se torne a reflectir, em torno do actual modelo. A Federação Angolana de Futebol precisa de ganhar coragem, para entregar a competição aos clubes, que sejam os responsáveis pela prova.

É necessário ainda, abandonar a ideia de que se experimentar a Liga, no dia seguinte acaba o futebol no País. Esse é um pensamento conservador, caduco e que pode arrastar e atrasar as soluções de que de o futebol precisa. Há países, com menos infra-estruturas, com uma economia sem expressão, porém, experimentaram a Liga e seguem o seu futebol, obtêm não poucas vezes resultados melhores dos que as nossas equipas experimentam nas Afrotaças.

Falta coragem. A principal função do Girabola, hoje, não pode ser apenas “factor de unidade nacional”. É uma consequência, e não deve ser mais o objectivo principal, porque movimenta milhões de dólares e emprega milhares de pessoas, que precisam da garantia de que podem viver do futebol.

Isso, exige uma resposta à altura, e não é com paninhos quentes que se colocam, que resultam em exaustivas choradeiras das equipas, do princípio ao fim da prova. É preciso avaliar todos os activos do futebol, colocá-los ao serviço das riquezas dos clubes. Não acreditamos, que os únicos que não conhecem a dimensão do futebol como indústria, sejam os dirigentes do clubes. Quer dizer, que precisamos de gestores, capazes de duplicar as receitas, e manter as portas dos clubes abertas.

Portanto, é boa ideia melhorar os procedimentos de disputa da Segunda Divisão, mas é preciso fazer melhor na principal prova, para que ela deixe de ter a conotação pejorativa referida pelo treinador do Sporting Clube de Portugal, Jorge Jesus.

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