Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Comear tudo de novo

03 de Setembro, 2014
Há quase a certeza de que vai ser mais um ano perdido, ou seja, mais um ano para esquecer. Vão ter de começar tudo de novo.

Tal como em 2013, os militares e os petrolíferos estão longe de corresponderem com o que são os anseios da sua massa associativa, daí que o Girabola-2014 tem tudo para entrar também no conjunto das estatísticas negativas, ou se preferirem dos anos em que estes clubes não lograram ser campeões nacionais.

No caso da equipa do 1º de Agosto tem mais de três décadas de participação efectiva no Girabola, apenas em nove ocasiões conseguiu chamar a si o título, o último dista há sete anos. Em consequência um sem número de treinadores passaram pelo clube a fim de devolver alegrias que os ferrenhos adeptos tanto clamam.

Apesar disso, as coisas não têm corrido bem aos agostinos. Este ano as coisas não começaram nada bem e as derrapagens obrigam a que a equipa continue a fazer contas à vida para sonhar ainda com o título. A verdade é que apesar de matematicamente ser possível chegar lá, desportivamente são muito remotas as hipóteses, realisticamente falando.

Depois de rescindir a meio da segunda época com Romeu Filemon, este ano a direcção liderada por Carlos Hendrick fez o mesmo a Daúto Faquirá, o técnico luso-moçambicano que tinha substituido o angolano no comando técnico dos militares. As razões foram mais ou menos as mesmas, ou seja, no segundo ano de contrato, os técnicos não conseguiram justificar a aposta do clube.

Apesar das chicotadas psicológicas, o 1º de Agosto corre este ano de novo o risco de não vencer o Girabola. À oito jornadas do término só com muita sorte a equipa rubra negra actual quarta classificada com 37 pontos (a 16 pontos do líder), podia terminar o campeonato como campeão.

Em maus lençóis está igualmente o seu arqui-rival, o Petro de Luanda. Há menos anos a passar pelo mesmo jejum, ou seja sem vencer o Girabola, os petrolíferos caminham para o seu quinto ano de seca. Desde 2009, que a equipa mais titulada do Girabola com 15 troféus arrebatados faz a travessia no deserto em busca da mística perdida.

Tal como o seu maior opositor também trocou várias vezes de treinadores e apesar de este ano ter voltado a fazer a aposta no seu mercado de eleição, o Brasil, nem por isso as coisas têm saído à contento.

Na sexta posição da tabela classificativa com 34 pontos, os petrolíferos também têm ainda hipóteses matemáticas de chegar ao título, mas é muito pouco provável que consigam chegar ao topo no final do campeonato. A intermitência nos resultados é o grande “calcanhar de Aquiles” para os tricolores.

Com uma nova direcção eleita há menos de um mês, ao Petro de Luanda só resta de modo antecipado começar a preparar a próxima temporada e traçar as linhas mestras para atacar o título de modo mais eficiente.

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