Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Comeo sofrvel

21 de Agosto, 2015
Angola começou com vitória a participação no Campeonato Africano de basquetebol sénior masculino que decorre em Radés (Tunísia). Ontem derrotou a congénere de Moçambique, com uma exibição pouco clara e convincente, que leva colocar algumas reticências quanto a possibilidade de uma campanha brilhante, ao nível de um campeão que se preze.

Tratou-se, na verdade, de uma actuação para esquecer, embora a reacção na ponta final tenha despertado a atenção das outras selecções presentes no torneio, sobretudo aquelas com iguais objectivos. Ou seja, os outros candidatos ao ceptro, que terão visto uma Angola com duas caras e à despeito disso muito imprevisível.

É certo que apesar da vitória não devemos nos adiantar ao lançamento de foguetes, sobretudo porque Moçambique, com todo respeito que deve nos merecer enquanto adversário, não é do campeonato de Angola apesar de ter oferecido a replíca que ofereceu. Dai a razão de se observar algumas cautelas nesta onda de emoção e optimismo. Vamos esperar e ver como se irá portar nos outros jogos que vêm a seguir.

Desde já é sabido que Angola está na prova com um único propósito: lutar pela revalidação do título perante a legítima necessidade de manter firme o seu extenso rosário de glória, que desde 1989 sofreu apenas dois interregnos, nomeadamente em 1997, no Senegal, e em 2011, no Madagáscar. No primeiro tropeço com o anfitrião Senegal, e no segundo com a Tunísia.

Para tanto, terá de melhorar o seu jogo, tendo, por coincidência, a desdita de ter estas mesmas selecções colocadas no seu caminho. O Senegal no mesmo grupo da primeira fase e a Tunísia na condição de anfitriã. Partindo deste pressuposto, podemos admitir que este campeonato não será disputado a feijões. Vai exigir o redobrar de esforços ,e mais do que isso a exposição do "savoir faire" da parte daqueles que correm atrás do anel brilhante.

Consola-nos saber que, apesar de algumas ausências de vulto, que por ora já não interessa evocar, Moncho Lopez leva para Tunísia um naipe de jogadores, que apesar da pálida exibição de ontem não se lhe pode subtrair o méirto, que no terreno irão certamente procurar expressar as qualidades do basquetebol angolano, reconhecido a nível do continente como o mais refinado das últimas duas décadas, uma realidade bem reflectida no número de títulos conquistados neste espaço de tempo.

Claro está que as outras selecções não têm andado de braços cruzados. Também elas têm nos respectivos países desenvolvido forte trabalho, voltados na busca da excelência. Isto mesmo foi notório no último campeonato, disputado há dois anos na Costa do Marfim e marcado por uma renhida disputa pelos lugares cimeiros, tendo Angola imposto, mais uma vez, a Lei do mais forte.

Se é que os níveis de crescimento obedeceram os padrões, faz todo sentido prevermos agora uma prova mais forte. Algo incómodo, é que a selecção anfitriã perfila o leque dos países em que o basquetebol tem conhecido um exponencial crescimento, situação capaz de resultar em algum embaraço para Moncho Lopez e seus pupilos, sendo verdade que o factor casa, em qualquer circunstância, joga sempre alguma influência.

Seja como for, vamos acreditar no potencial da nossa selecção, na sua combatividade, na sua capacidade de transformar dificuldades em facilidades e no fim veremos para quem as contas jogarão a favor. À partida, Angola parte em vantagem.

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