Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Como descobrir talentos

28 de Maio, 2016
No próximo dia 3 de Junho, num dos hotéis da cidade capital, os futebolistas vão discutir ou reflectir sobre o trabalho de scouting. Um conceito que pode ser traduzido como a observação de equipas adversárias ou descobertas de jogadores, em particular talentosos.

É um sector muito ignorado, ou pouco valorizado por cá. Relegando inclusive a roupeiros ou outra pessoa disponível, porém sem qualquer formação na área ou de treinamento. Quando as equipas consideram importante fazer um scouting sobre um adversário ou jogador, enviam os seus treinadores principais ou adjuntos. Sou nestas circunstâncias é que esse trabalho é valorizado.

Porém, esquecem os nossos agentes da modalidade que o futebol deixou de ser uma modalidade amadora que se resolve apenas com o faro do treinador. É uma actividade hoje mais colectiva do que nunca, sobretudo no que à direcção técnica diz respeito.

Esquecemos ainda que dessa actividade nasceram grandes treinadores do mundo, como José Mourinho (ainda assistente de Bobby Robison, no Sporting, FC Porto e no Barcelona). Ainda André Villas Boas, outro treinador português, campeão da Liga Europa, com o FC Porto.Ou seja, é um sector tão importante como treinar uma equipa. Entendemos por isso que se trata de uma grande iniciativa, que deve ser amplamente divulgada e participada, por ex-jogadores sobretudo que ainda não descobriram um emprego.

É um trabalho que não se restringe a filmar jogos ou dizer as características dos jogadores. Exige conhecimento da modalidade no qual se trabalha e capacidade de traduzir o que se vê em relatórios, de modo a facilitar a estratégia de jogos dos treinadores ou ainda um acompanhamento e enquadramento dos jogadores escolhidos, resultante deste trabalho.

Devia ser remunerado nos mesmos termos em que se faz com um treinador adjunto, pois é tão importante como estar no banco de suplentes a ler o jogo do adversário; é tão importante quanto tirar do anonimato craques, como Gelson do 1 de Agosto.

Pode ser pois uma janela para os ex-jogadores ou outros interessados iniciarem uma carreira de treinador. Contudo, é necessário que se dê formação, pois não basta saber ler os sistemas tácticos, é necessário conhecer a metodologia e o rigor que este trabalho exige hoje, mais do que ontem.

Seria bom que houvesse uma participação à altura da importância do tema, pois são dessas reflexões de que carecem o nosso futebol para dar um salto qualitativo. Como se disse, o futebol deixou de ser uma actividade lúdica há muito, deixou de ser uma actividade apenas para quem joga a bola.
É uma actividade congregada, que chama para si quase todas as áreas do saber, dentre as quais o scouting.

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