Jornal dos Desportos

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Opinio

Compras no mercado

09 de Junho, 2014
O Girabola caminha célere para o fim da primeira volta que pode consagrar o Recreativo do Libolo como campeão do Cacimbo, ou vencedor do primeiro troço do campeonato. Os libolenses comandam a prova sem grandes alardes mas com uma postura segura, própria de um conjunto que tem confiança no seu trabalho e que faz de cada jogo um jogo.

Essa filosofia, aliado ao facto da equipa não se expor muito desde o início tem dado os seus frutos, pelo que, não é crível que o líder vá às compras em grande escala para a segunda volta, ao contrário de outras equipas que não escondem as suas ambições nas contratações que projectam.

Na mesma senda, também é difícil imaginar o Kabuscorp do Palanca a enveredar por compras novas, ainda que o dinheiro possa não ser problema para o clube que ocupa o segundo lugar no campeonato.

A turma do Palanca terá protagonizado a maior compra da época ao ir buscar Tresor Mputo ao TP Mazembe, e com a estrutura já montada para o ataque ao primeiro posto na segunda volta, novas mexidas com a entrada de novos jogadores podem alterar a estrutura que a equipa conseguiu ganhar.

O mesmo, porém, não se pode dizer do Benfica de Luanda ou do Bravos do Maquis que têm fortes ambições e que não têm receio de arriscar nas contratações na segunda janela, com o objectivo de subir na classificação.

Equipas como o Petro de Luanda ou o 1º de Agosto, neste momento muito distantes do título, ainda que matematicamente ainda possam lá chegar, certamente que pensarão duas vezes antes de se meterem na "aventura" das contratações, porque não têm garantias que, se optarem por esta via entrarão, de facto, na corrida para o título, e dado o facto de as mesmas nesta altura visarem objectivos concretos.

Ambos longe do primeiro lugar, a melhor via poderá ser poupar recursos para preparar a próxima época com mais agressividade em termos investimento no mercado, o que, bem entendido, até seria uma atitude realista.

No fundo da tabela equipas a pensar em contratações é heresia. Benfica do Lubango, 1º de Maio, Desportivo da Huíla, União do Uíge ou mesmo Sporting de Cabinda são formações que, com limitações financeiras bastante acentuadas, devem contentar-se com o que têm.

Nos seus cofres os dinheiros não abundam, e o seu dia-a-dia em termos de gastos é marcado por uma grande contenção que chega mesmo a penalizar os seus atletas, na maior parte dos casos nos atrasos dos salários e prémios de jogo.

De resto, para o nosso caso específico, só vai mesmo às compras quem tem dinheiro para gastar (ou esbanjar), ou aqueles que sem limitações financeiras e objectivos bem definidos, têm ambições de subir ainda mais.

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