Jornal dos Desportos

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Opinio

Contas complicadas

29 de Janeiro, 2012
Depois dos jogos efectuados contra o Burkina Faso e o Sudão, fica claro que o seleccionador nacional, Lito Vidigal, que pelo seu histórico ao serviço do futebol nacional não é muito dado a mudanças significativas, deverá efectuar algumas alterações, visando conferir maior consistência aos Palancas Negras, que amanhã jogam, em Bata, o seu apuramento para a fase seguinte, quando defrontarem a selecção da Costa do Marfim, para a última jornada do Grupo A, da fase de preliminar do CAN-2012.

Diante da selecção de Drogba, já qualificada, e por muitos analistas apontada como uma das principais favoritas à conquista do troféu, a selecção de Angola, ao contrário dos jogos anteriores, deverá apresentar uma equipa mais solta, com atletas que se movimentem mais e controlem melhor o esférico. Não vamos entrar aqui em contas, facto que deixaremos para outros colegas apresentarem noutros espaços, mas é evidente que, pelo facto de os marfinenses jogarem mais compactos e ao ataque, sem querermos imiscuirmo-nos no seu trabalho, Lito Vidigal, deve trocar os laterais por outros que estejam no banco e que ofereçam garantias de melhor desenvoltura, de forma a não prejudicarem o desempenho do colectivo.

Marco Airosa e Miguel, em nossa opinião, devem ser rendidos por Mingo Bile Amaro. No embate contra os sudaneses, Marco Airosa, a denotar uma nítida falta de ritmo, não apoiou o ataque, pelo que dos seus pés quase não saíram cruzamentos, uma das principais funções dos laterais modernos. Miguel, que ao serviço do seu clube (Petro de Luanda) efectuou um campeonato acima da média, tem acusado demasiada responsabilidade e falta de traquejo. Os laterais do 1º de Agosto são claramente mais velozes, o que em certa medida contribui para uma maior solidez defensiva, uma vez que Angola, versão Lito Vidigal, desde a fase de apuramento que se tem saído melhor quando utiliza o sistema de contra-ataque, em função da pressão que é exercida pelos adversários.

Parece que é isso que vai acontecer amanhã, quando Angola jogará com conhecimento da classificação do Grupo A, cuja última jornada da fase preliminar acontece hoje. Uma vez que Gilberto não se tem saído a contento como “pensador de jogo”, e dado que vai ser difícil jogar sob pressão e com a maior circulação possível de bola, assim como efectuar a marcação ao adversário, junto ao meio campo, somos de opinião que deve ser rendido por Déde, uma vez que André Macanga se sente melhor no apoio aos centrais, facto que com a possível entrada de Osório se tem tornado difícil de acontecer.

Mateus Galiano e Djalma, pela prestação positiva que vêm tendo, deverão ser os alas no apoio ao ataque que deve recair sobre Manucho e Nando Rafael, este se melhorar da contusão sofrida na sua estreia contra os sudaneses. Flávio, habituado a jogar no coração da área, tem enfrentado dificuldades para desempenhar a função de médio ofensivo com a função de jogar nas costas de Manucho Gonçalves. Outra questão que está a merecer algumas dúvidas prende-se com a substituição de Carlos que, por ter visto a segunda cartolina amarela, não pode dar o seu contributo à equipa.

A dúvida paira em saber se Wilson será o escolhido, uma vez que tem aparecido como primeiro suplente, ou se Hugo, que segundo alguns analistas efectuou um campeonato de bom nível pelo Kabuskorp do Palanca. Uma vez que o cenário ainda se apresenta numa incógnita para os Palancas Negras, pensamos que Lito Vidigal, diante da Costa do Marfim, deverá apresentar-se mais ousado, com um conjunto que corra mais. É necessário exercer um controlo de bola mais eficaz, assim como maior circulação de bola para não dar qualquer brecha aos contrários. A conquista de um empate serve as aspirações dos angolanos, mas pensamos que a luta pelo triunfo não pode ser posta de lado.

Ao contrário do que muita gente pensa, os conterrâneos de Drogba não entrarão relaxados, nem tão pouco o seu treinador aproveitará para conceder mais tempo de jogo aos jogadores menos utilizados, uma vez que não quererá ocupar a segunda posição que os obrigará, na fase seguinte (a eliminar), a defrontar o 1º classificado do Grupo A, que pode ser a selecção do país anfitrião, Guiné Equatorial. Angola, que tem de ser mais ousada para tentar evitar encontrar o primeiro classificado do Grupo A, na fase a eliminar, não pode pôr-se a “inventar”. Tudo é possível, num jogo em que as cartas, depois de baralhadas, devem ser bem distribuídas.
Leonel Libório

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