Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Crise petrolfera

21 de Setembro, 2019
Há maus ventos no Petro Atlético de Luanda. O péssimo arranque de época da equipa principal de futebol tem sido o \"leit-motiv\", para a reacção pouco simpática de alguns adeptos seus. Em meio a tudo isto, quem sofre é o presidente de direcção, a quem os críticos pedem que tenha coragem de colocar o lugar à disposição.
As últimas noites não devem ser de bom sono para Tomás Faria. A vitória, na passada quarta-feira, da equipa sobre o Sagrada Esperança da Lunda Norte, para a terceira jornada do campeonato, terá constituído um verdadeiro bálsamo, para as dores que apoquentam o presidente. A situação é, realmente, complicada, mas que a massa adepta do clube procura não perceber.
À partida, Tomás Faria não é treinador, para ser culpabilizado pelos maus resultados da equipa em campo, salvo se a prestação desta resulte de graves problemas de foro administrativo, como a falta no pagamento de salários, prémios e outros honorários. Fora isso, não vemos por que razão se entende que a cabeça do presidente é que deve ir à forca.
Os adeptos petrolíferos precisam perceber, que o clube deixou de desfrutar das condições que tinha no passado. Ou seja, o gigante do \"Eixo-Viário\" não foi, também ele, poupado pelos ventos da crise económica, que hoje por hoje aflige a todos. Passou pelo seu orçamento uma navalha bem afiada, causando um desarranjo à gestão.
Esta situação causou grande estrago, de sorte que o clube se vê hoje limitado no seu exercício administrativo. O que antes parecia acessível deixou de sê-lo. Em síntese, estabelecendo uma comparação com o \"arqui-rival\" do Rio Seco, o desnível é acentuado. Podem estar equiparados apenas em termos de grandeza histórica. Na capacidade administrativa, o fosso entre um e outro se compara a Fenda da Tundavala.
Então a direcção de Tomás Faria não gere activos à escala dos seus antecessores. Logo, isto tem forte implicação na forma de actuação e prestação competitiva das suas equipas, para não falarmos apenas do futebol. Cobrar à actual direcção, um plantel que se compare aos que construíram a sua história futebolística, pode parecer um absurdo.
Os adeptos devem também saber fazer a leitura dos tempos. Da mesma forma que o Recreativo do Libolo de há sete anos já não é o de hoje, devendo falar-se o mesmo do ASA e do Kabuscorp, também o Petro está a passar pelo mesmo caminho, com a diferença apenas de este não lhe terem puxado o tapete na mesma proporção dos outros.


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