Jornal dos Desportos

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Opinio

Crise s para uns

26 de Dezembro, 2015
Numa altura em que todos gritam por falta de dinheiro, o 1º de Agosto parece imune à situação. A anunciada contratação do médio Geraldo, que não fechou com o Petro de Luanda, é disso um indício.

Qualquer adepto atento deve saber que os militares não têm medido esforços na compra de jogadores. O pretexto é a conquista do décimo ou la decima (como dizem os espanhóis), que foge à equipa desde 2007, ano em que viu o Interclube roubar-lhe o título, quando todas as previsões apontavam para um bis sob comando do treinador holandês Ian Brouwer. De lá para cá, a equipa do Rio Seco tem investido tudo e mais alguma coisa para conquistar o décimo título.

Entretanto, parece faltar frieza nas decisões da equipa dos militares ou da sua direcção, sobretudo quanto a valores para a contratação de jogadores, estrangeiros ou angolanos vindos da diáspora. A contratação agora anunciada de Geraldo é mais uma “loucura” daquelas que não se admitem numa época em que todos os cintos estão apertados ou deviam estar.

O rival dos militares, Petro de Luanda, desistiu de contratar o médio por considerar as exigências elevadas para a sua capacidade financeira e dado o momento de aperto que agita o país . No entanto, como quem faz ouvidos de mercador, a direcção do Rio Seco abriu os cordões à bolsa, e foi buscar o médio Geraldo.

Fora de questão ou por outra, longe fica questionar-se sobre a sua qualidade, a questão que se prende tem a ver com os valores dispendidos. Se não há dinheiro, o sensato é não entrar em loucuras. Conforme se sabe, Geraldo exigia do Petro de Luanda três camiões cisternas, salário ao câmbio do dia, e ainda pagamento da renda da sua casa no Brasil. O Petro de Luanda recuou, anunciou incapacidade para responder às exigências.

Os militares, ao que se sabe, responderam a quase todas as exigências do médio Geraldo. Já o fez com Mateus Galiano, Guilherme, e outros. No entanto, as suas principais estrelas têm sido os jogadores formados na sua “cantera”, Mingo Bile, Ary Papel, Manucho Dinis, Gelson e outros.

Por esse andar, não nos asssutemos que outros clubes grandes também façam as mesmas “loucuras”, agora que a Federação Angolana de Futebol lhes abriu as portas para utilização de cinco estrangeiros, contra todas as expectativas. A tendência devia ser formar, formar, e com os bons frutos que se recolherem promover-se o enquadramento, mas as equipas não querem olhar para a formação como o principal investimento. Uma competição como o Girabola, que para além das faixas de campeão e uma Taça banhada sabe-se lá de quê, não retribuiu os esforços financeiros que os clubes fazem, como se compreende que os dirigentes insistam em contratar com somas astronómicas, quando podiam canalizar 90 por cento para a formação.

Com a formação, os clubes ganham duplamente: primeiro, têm possibilidade de "vender" os jogadores, e depois têm a possibilidade de terem sempre jogadores à altura de substituír os que saem. A ida do avançado Gelson para o Sporting de Portugal, em 2017, traz ao 1º de Agosto benefícios que a contratação não o faz, por exemplo.

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