Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Crnica de uma crise anunciada

03 de Fevereiro, 2020
O Girabola Zap começa a sentir com maior intensidade a crise financeira, efeitos das dificuldades que o País atravessa. Não é nada novo, pelos menos para nós jornalistas que fazemos opinião. Foi fartamente alertado para alteração do actual figurino. Não importa quantas equipas participem, não é o número de equipas que determina a qualidade de uma competição. O figurino do Girabola que faz este ano quarenta anos serviu para um contexto, político sobretudo. Em que o futebol era visto como expressão da unidade dos povos e soberania territorial. Com a proclamação da economia de mercado, e o fim do amor à camisola, o futebol devia acompanhar os passos. Fê-lo até certo ponto, mas não o fez de maneira estruturada, não preparou as bases para enfrentar uma conjuntura económica difícil tal e qual se vive hoje. Os dirigentes dessa época mergulharam também eles na acumulação primitiva do capital (também são filhos de Deus!) como resultado, as equipas vivem hoje a fazer contas a vida. Não sabem o que lhes reserva o futuro. Três exemplo basta para examinar a realidade. O Atlético Sport Aviação (ASA), sublinhe-se, tri-campeão nacional; o mítico Progresso do Sambizanga, Benfica de Luanda, fora de Luanda nem precisamos fazer referência, por ser “natural” daquelas equipas. Ou seja, é o quotidiano delas, sempre enfrentaram dificuldades até mesmo àquelas que se encontram em cidades tidas como desenvolvidas economicamente ou com algum desenvolvimento, não escaparam. O 1º de Maio de Benguela e a Académica do Lobito são disso um exemplo. Subindo encontramos as equipas do Huambo, nunca tiveram vida fácil, jogaram sempre o Girabola com o coração nas mãos, pois não sabiam o que lhes ia acontecer no dia seguinte. Nem Cabinda e Zaire, cidades mais petrolíferas desse País, têm assistido sossego. Sporting de Cabinda vive a gritar todos os dias de dificuldades financeiras, e a Académica do Soyo nem se fala. Portanto, temos uma competição aparente, com três ou quatro equipas que de facto competem. As outras fazem de conta. Esta realidade devia alguma vez preocupar quem se gaba ser dirigente desportivo. Agora não há voltas a dar. Ou acontece ou acontece. Se teimarem, não tarda teremos uma competição com apenas equipas de Luanda. É urgente encontrar um modelo que seja capaz de pôr algum dinheiro no bolso de todos os clubes, por menor que seja. O importante é começar, e numa conjuntura favorável, cimentar as estratégias. Este é o caminho, será doloroso, mais vale apenas.
TEIXEIRA CÂNDIDO

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