Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Matias Adriano

Cruzamos a meta

30 de Dezembro, 2019
Numa penosa e estafante maratona, onde a palavra de ordem, queiramos ou não, foi, indubitavelmente, “apertar os cintos”, com políticas económicas implementadas a precipitarem o mercado, colocando o país ao avesso e o cidadão sob receio do último suspiro, eis-nos à beira da travessia, gloriosa, sobre a meta de mais um perímetro temporal. 2020 é já na próxima curva.
Alegra saber que apesar de todo cortejo de dramas vivido conseguimos, ainda assim, resistir àquilo, que, em rigor, se poderá chamar “prova de fogo”, pese o facto de ter havido quem, infelizmente, não teve a mesma passada, a mesma fibra, o mesmo fôlego.
Alguns de nós ficaram estatelados pelo caminho, vencidos pelas intempéries da crise e por outros males associados. No seio das famílias, das empresas públicas e ou privadas, não houve quem não lamentou o elevar do custo de vida, cada vez acentuado.
Os cortes, nisto e naquilo, foram quase inevitáveis, agravando a vida do cidadão de si já periclitante, em decorrência da “razia” de que foi alvo o país, quando meia dúzia de iluminados pensou que era dona absoluta de tudo que emerge do seu subsolo.
A sociedade reagiu com críticas felinas à governação. Mas ao nível dos mais entendidos não se caiu na tentação de crucificar o Executivo, sendo que as correcções feitas em parte têm explicação, e encontram, como é sabido, sustento no exercício económico que visa acertar o desacertado, ajustar o desajustado, em busca de uma estabilidade monetária de que todos poderemos, amanhã, colher benefícios e aplaudir de pé.
O desporto, como sector financeiramente exigente, não foi poupado. Aliás, 2019 foi só o pique. De resto, o “lufa-lufa” dos gestores desportivos já vem de há alguns anos. Temos visto como andam clubes ou federações que no passado respiravam excelente saúde financeira. Há inclusive, em certos casos, políticas de exclusão de modalidades, o que, desportivamente, indicia uma grave regressão.
Mas, como no desporto os seus actores estão fadados à vitórias, ainda que nele as derrotas também encontrem lugar, os agentes desportivos têm feito das tripas o coração para que as suas acções não fiquem demasiado limitadas. Por isso, os tempos já não são para dirigentes curiosos, simplesmente movidos pelo mórbido desejo de aparecer nos holofotes, mas para aqueles capazes de agregar à sua vocação desportiva o “savoir faire” em matéria de gestão.
De resto, temos visto esta genica do lado de algumas federações, em que se pode destacar a de Andebol, de Futebol e do Desporto Adaptado, porque os seus dirigentes conseguem arrepiar caminhos, ou, se preferirem, bater portas, para obter o essencial para as instituições que dirigem, o que não é fácil numa época em que até os grandes grupos empresariais se escudam, para tudo e para nada, no argumento da recessão económica.
Os clubes, longe da memorável política “Estado providência”, em que boa parte delas foi criada, passam pelas piores dificuldades, sobretudo aqueles com equipas envolvidas no Girabola. A esmagadora maioria é quase com algum masoquismo que, atrevo-me a dizer, disputa o campeonato. Calculo que no universo das 16 equipas da prova, apenas 1º de Agosto, Petro de Luanda e Interclube estejam isentos de apertos e gemidos.
Seja como for, em 2019 a bandeira nacional não deixou de desfraldar ao sabor dos ventos do mundo, através de acções do desporto. No futebol, no basquetebol, no desporto adaptado, no andebol e noutras modalidades, foi possível competir fora de portas, com resultados não muito famosos, mas que não comprometeram as estimativas iniciais. Escuso entrar em detalhes .
Enfim, ficou claro que as dificuldades não desencorajam a prática desportiva, embora coloquem limites à sua vitalidade. Por esta ordem, rogo que os seus fazedores mantenham, em 2020, a firme convicção e determinação que têm sabido evidenciar. Pois, o ano que vem reserva outros desafios, que vão requerer de todos desportistas não apenas o redobrar de esforços, mas também o arrojo de quem anda, realmente, no desporto com espírito de missão.

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