Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Cultura do medo

14 de Setembro, 2019
Amanhã, a Federação Angola de Basquetebol, na pessoa do seu presidente, vai balancear o que foi a participação de Angola no Campeonato do Mundo que termina este fim-de-semana na China. Claro está, falar em conferência de imprensa seria mais curial, que numa estação de rádio em que um ou dois jornalistas estarão habilitados a perguntas.
Seja como for, Hélder Teixeira “Maneda” e seu elenco, acabam por dar um exemplo claro de abertura à comunicação, sendo a forma mais inteligente e simpática de evitar equívocos e especulações de toda a sorte, como em regra ocorre no nosso desporto, sobretudo, quando uma determinada caravana ou selecção regressa de uma competição com uma prestação aquém das expectativas.
Aliás, igual procedimento teve o Comité Olímpico Angolano que na semana que termina convocou um encontro com a media, para passar em revista os quês e os porquês que marcaram a presença da missão angolana nos Jogos Africanos de Rabat, em que a safra também esteve longe dos níveis desejados ou das metas, inicialmente, traçadas.
Entretanto, quer no caso do mundial de basquetebol, quer no caso dos Jogos de Rabat, houve resultados mal conseguidos, e não situações rocambolescas como foi o caso do futebol no Campeonato Africano das Nações que se disputou entre os meses de Junho e Julho, no Egipto. A FAF tinha motivos para explicar ao país o que se passou no CAN’2019, de onde não voltou com boa reputação.
Mas como há filhos do mesmo ventre com condutas diferentes, a FAF mandou-nos bugiar a todos. Tomou um caminho diferente, em relação a FAB e ao COA. E, diga-se, em obediência a verdade, não saiu bem na fotografia. Deixou “preto no branco” que tem uma cultura de gestão diferente das outras instituições. Talvez a mais moderna, e por esta ordem, melhor ajustada à actualidade, ou a mais caduca. Logo, desajustada no tempo.
A FAB não será destituída em função da prestação no Campeonato do Mundo, porque não sendo sozinha a dona da selecção, se algo faltou não é só a quem cabe a responsabilidade na totalidade. O mesmo se pode dizer quanto ao COA. E, aqui, coloca-se a pergunta: mas, então, o que temem os outros? Ou seja, os responsáveis da Federação com sede na Urbanização Nova Vida?
Se o “eixo do mal”, que levou ao descalabro, como se apregoou no momento, era o seleccionador Srdjan Vasiljevic, então, chegados aqui, podemos concluir que a FAF ao não realizar a propalada conferência de imprensa, na presença deste, perdeu uma soberana oportunidade de limpar a sua imagem e mostrar a Angola, quem é o culpado pelo fracasso no Egipto.

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