Jornal dos Desportos

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Opinio

Cumprir calendrio

05 de Setembro, 2013
A Selecção Nacional está prestes a encerrar a sua temporada. O seu último jogo do ano, salvo alguma excepção, é no próximo sábado com a Libéria para a derradeira jornada da penúltima fase das eliminatórias, zona africana, ao Mundial de 2014. Trata-se uma partida para cumprir calendário, pois já não temos qualquer hipótese de chegar à última fase. Depois do último fracasso das eliminatórias para o CHAN/2014, à Selecção Nacional resta-lhe jogar para a dignidade. Tem de encarar o encontro contra a Libéria com a cabeça levantada e a pensar unicamente nos três pontos.

A equipa trabalha no Lubango, local do embate de sábado. O seleccionador, além da componente técnica, não descura o aspecto psicológico, já que o empate caseiro diante de Moçambique e o consequente afastamento do CHAN/2014 deixou marcas profundas na equipa. “O estado de ânimo do grupo não é o melhor. Estamos a trabalhar para os jogadores recuperem porque ficaram abalados com o afastamento da corrida à fase final do CHAN na África do Sul. É um grupo integrado por jovens que têm muita coisa para superar”, disse à imprensa, o técnico Gustavo Ferrín.

O combinado nacional está a trabalhar com o melhor profissionalismo e a preparar a equipa constituída por 17 jogadores, para a recepção à Libéria com intuito de sair vitorioso do desafio e corresponder às expectativas não apenas dos adeptos do Lubango como de todo o país. A dignidade dos jogadores tem de vir ao de cima. A qualificação para o Brasil já era, mas têm de honrar as camisolas de Angola.

Pode parecer um paradoxo, mas no rescaldo daquilo que fez nos jogos realizados, a ideia que fica é a de que os Palancas Negras foram exactamente até onde o talento individual dos jogadores a conseguiu levar. Mas ficou muito aquém de onde podia ter chegado se tivesse conseguido ser uma equipa. Claro que isto supõe partir daquele princípio básico num desporto colectivo, segundo o qual uma equipa vale mais do que a soma das suas partes. E, verdade seja dita, a Selecção Nacional pouco ou nada fez para se valorizar. Fracassou em todas as provas em que estava empenhada.

Ora, o que faz a diferença entre um grupo de jogadores mais ou menos talentosos e uma verdadeira equipa é normalmente aquilo que o treinador é capaz de lhe acrescentar. Um técnico que escala um “onze” com jogadores que não jogam nas suas equipas, deixando no banco os titulares dessas formações, não pode chegar ao êxito. Esta é a verdade. Depois de todos os fracassos é importante que a Selecção Nacional ganhe no sábado, no Lubango, à Libéria. Era uma forma de elevar o austral dos jogadores e mesmo dos adeptos.

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