Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Cumprir calendrio

30 de Agosto, 2016
Está-se por saber se os responsáveis do nosso desporto já estão em condições de apresentar publicamente os primeiros resultados ou frutos da Conferência Nacional do Futebol que teve lugar o ano passado. Cobrar os proventos daquele conclave não deve, de modo algum, ser entendido como um acto de agitação, se se considerar as razões da sua realização e os fins que o mesmo visava.

É que o "statu quo" do futebol nacional continua a preocupar, não só aos dirigentes e a outros agentes a ele ligados, como ao próprio público consumidor, que há muito tempo deixou de ver aquilo que, em rigor, deve chamar-se futebol. É certo que a nível de clubes ainda temos alguns que conseguem agradar com a qualidade do seu jogo. Mas o mesmo já não se pode dizer ao nível de selecções.

Na verdade, não deixa de ser um vexame quando uma selecção, já com algum histórico a nível do continente, realiza jogos num torneio de qualificação por mero cumprimento de calendário. Isto não dignifica um país do nível de Angola, que já teve o mérito de desfilar na maior cimeira do futebol mundial. Talvez fosse perceptível para outros países jovens e emergentes.

Mas, queiramos ou não, o certo é que no próximo fim-de-semana vamos receber o Madagáscar na condição de meros observadores da "coisa", sem objectivos a discutir, porque a falta de maturidade, resultante de uma desorganização estrutural, há muito ditou o nosso destino, há muito riscou-nos da lista daqueles que podem e que se podem alvitrar como capazes. Mesmo nas últimas presenças em campeonatos africanos, as qualificações da nossa selecção foram sempre sofríveis, obtidas "in-extremis", na maior das vezes com um empurrãozinho de terceiros. Onde está o nosso mérito afinal? Que percepção terão de nós os outros países, que num passado não muito distante aplaudiram a nossa ascensão?

De resto, não pode haver dúvida que o futebol angolano a nível de selecções já teve uma época áurea. Os finais da década 90, altura em que temos qualificação e participação no primeiro campeonato africano das Nações, foram realmente de uma explosão fora de série, com a aparição de muitos jogadores exímios, entre aqueles da praça nacional e outros que eram descobertos na diáspora.

Mesmo depois da saída de Carlos Alhinho, a selecção ainda manteve por algum tempo a sua expressão futebolística. Quer Manuel Gomes "Necas", quer Oliveira Gonçalves, os homens que se seguiram, conseguiram inculcar na equipa uma boa mentalidade futebolística, e bem ou mal a selecção ainda tinha alguma identidade. Mas depois do Mundial'2006 começou a queda livre.

Quando organizamos o CAN'2010, a selecção já estava de rastos. Jogadores como Neto, Hélder Vicente, Jony, Paulão, Castela, Akwá e demais, verdadeiras referências da época gloriosa, já se tinham retirado. Aqueles que podia fazer alguma diferença no grupo já se contavam aos dedos da mão. É certo que em tudo há altos e baixos. Mas para nós está custar voltar ao alto.

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