Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Curvas dos caminhos percorridos

01 de Fevereiro, 2020
Quando o projecto Jornal dos Desportos entrou nos carris, e perante a escassez de quadros com tarimba e vocação para a crítica desportiva, a mesma equipa que respondia pela editoria desportiva do Jornal de Angola foi quem assumiu a Redacção na novel publicação especializada. Quatro profissionais, entre os demais, faziam a diferença, pelo percurso e comprovada experiência profissional.
António Ferreira “Aleluia”, Fontes Pereira, Policarpo da Rosa e Salas Neto.
Vinha atrás do quarteto, uma panóplia de repórteres, entre os quais, António Félix, João Francisco, Amândio Clemente e Fernando Cunha. A estes veio juntar-se, Béu Pombal e Matias Adriano. Éramos uma equipa pequena, que precisava de uma unidade para ser onze, mas ciente da sua missão jogava para ganhar.
Nessa altura, o jornal tinha como director, Victor Silva, saía às segundas-feiras, o que dava uma margem de tempo que permitia atender às obrigações das páginas desportivas do Jornal de Angola, nos outros dias da semana. A sequência de tempo, porém, levou a descentralização de equipas, pelo que Policarpo da Rosa, Amândio Clemente e Fernando Cunha acabaram destacados para o JA, ficaram os demais definitivamente no JD.
E, o Jornal seguiu o seu percurso, passou em 1997 para bi -semanário, agregando à edição de segunda-feira outra com saída à sexta-feira. Como em tudo, os altos e baixos marcaram determinadas etapas do percurso. Em 1997, Salas Neto rumava para a imprensa privada, a começar pelo Folha 8, até desbravar outros caminhos.
Pouco depois, António Ferreira deixava-nos para assumir o cargo de Secretário Gráfico, nas Edições Novembro. Contudo, o projecto não parou. Pois, novos jovens, alguns antes nas vestes de colaboradores, foram integrando a equipa de produção, já com Policarpo da Rosa, regressado, na condição de director e Matias Adriano nas vestes de Chefe de Redacção.
Na verdade, as constantes movimentações de quadros, que resultam, fundamentalmente, do facto do JD ser uma espécie de “parente pobre” das Edições Novembro, não têm sido benéficas. Têm vindo a fragilizar o grupo de trabalho. Pois, para além de colegas que se mudam, por mínimos motivos, para o JA, existem aqueles que academicamente investem em outro ramo do saber, para na primeira oportunidade, partirem para outra.
E, temos vivido este dilema, que às vezes nos compele a questionar se não estaremos metidos num projecto apoiado em vigas ocas. Mas os 26 anos levam-nos a acreditar, que apesar de tudo, está apoiado em sólidas vigas estruturais. Por isso, andamos determinados a seguir em frente, procurando sempre pôr à prova o que aprendemos com aqueles, que mesmo nesta casa, um dia pegaram-nos na mão para nos indicar o caminho a seguir.Pessoalmente, e fala na primeira pessoa, quando me ponho à frente do computador para esgrimir ideias, em texto, procuro, mesmo ciente da distância que ainda me possa separar da excelência, fazer o melhor, pensando sempre naqueles que tive, tenho e terei sempre como exemplos a seguir nesta profissão, que escolhi e abracei por vontade própria. José de Mátis

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