Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Dar tempo ao tempo

24 de Junho, 2017
Depois da \"operação\" Burkina Faso, os Palancas Negras voltam a entrar em acção desta feita para dois outros compromissos: Taça Cosafa e CHAN. tal como aquando da estreia do hispano-brasileiro Beto Bianchi à frente do combinado nacional, em que se fizeram ouvir muitos comentários desfavoráveis, depois do jogo com os \"Etalons\" também as reacções não se fizeram esperar, embora em doses mais moderadas.

Na altura, a derrota de 2-0 frente a Moçambique, na estreia de Bianchi, no amistoso para a Data FIFA, foi vista como um mau presságio para o futuro da Selecção Nacional. Depois veio o empate a zero com a África do Sul e os ânimos refrearam um pouco. Agora, a nova derrota diante do Burkina Faso, por 3-1, e já a contar para as eliminatórias de qualificação ao CAN de 2019, nos Camarões, voltou a reacender a discussão em torno do futuro dos Palancas.

É preciso, no entanto, fazer lembrar aos comentadores e aos adeptos do futebol nacional que não podem perder de vista que o novo seleccionador precisa de tempo para dar uma nova cara à Selecção Nacional. Isso não se faz da noite para o dia e nem se consegue com dois ou três jogos.

Pensamos que esta ainda não é a altura ideal para se tirarem as ilações daquilo que o novo seleccionador pretende para o combinado nacional. Beto Bianchi e seus pupilos vão precisar de mais tempo para projectar a mudança que se almeja e atingir os níveis competitivos que todos auguramos, que passam por uma selecção homogênea, compacta, forte e que se exibe numa perfeita sincronia entre os três sectores, reflectindo-se todos estes atributos no alcance de excelentes resultados desportivos.

Por mais que se fale em mudanças, em renovação, sabemos que no fundo no fundo todos queremos é ver resultados. Ou seja, depois de duas ausências consecutiva em fases finais do CAN, em 2015 (Guiné Equatorial) e 2017 (Gabão), os adeptos querem ver o mais rapidamente possível a Selecção Nacional voltar a marcar presença na cimeira do futebol africano, repetindo, se possível, o período que foi de 2006 a 2013, em que marcamos presença em todas as edições. Mas é preciso corrigirmos este pensamento, e esperar que os Palancas Negras voltem a observar um novo período de maturação, que lhe permita regressar ao CAN de modo mais consistente a fim de representar com honra e dignidade o país e as cores nacionais.

Portanto, como já se disse, é muito cedo para se fazer qualquer juízo de valor sobre o comportamento dos Palancas Negras nestes primeiros jogos. Temos de continuar a cultivar a nossa paciência e dar um pouco mais de crédito à equipa técnica e aos jogadores que em diferentes momentos são chamados pelo seleccionador nacional.

A Selecção Nacional vai competir a partir de amanhã na Taça Cosafa, e será mais uma oportunidade para Beto Bianchi e pupilos tentarem afinar a máquina para regressarem às eliminatórias do CAN com um outro pontencial futebolístico, capaz de poder ajudar a corrigir o mau arranque desta campanha rumo aos Camarões.

Últimas Opinies

  • 07 de Abril, 2021

    Ida ao Mundial marcou o futebol

    Em 2018, a nossa selecção de futebol adaptado trouxe-nos o primeiro troféu de cariz Mundial, ao vencer o campeonato do Mundo.

    Ler mais »

  • 07 de Abril, 2021

    Ganhos que podem ir ao ralo

    A circulação de pessoas e bens, apesar das dificuldades das estradas, faz-se com segurança.

    Ler mais »

  • 05 de Abril, 2021

    Um toque ao desenvolvimento

    O país comemorou ontem mais um ano de paz. Foi a 4 de Abril de 2002 que a Nação angolana presenciou a cerimónia que marcou o fim de um período de guerra que deixou inúmeras cicatrizes.

    Ler mais »

  • 05 de Abril, 2021

    Os ganhos da nossa vaidade

    Ao assinalarmos 19 anos, desde que o país começou a desfrutar do alívio que só a paz proporciona, não há como não reconhecer os ganhos havidos no sector desportivo neste lapso de tempo.

    Ler mais »

  • 05 de Abril, 2021

    Um retrocesso em alguns casos

    O desporto foi o grande embaixador do país, algumas modalidades assumiram-se como verdadeiros porta-estandartes, dado os feitos protagonizados por algumas selecções nacionais.

    Ler mais »

Ver todas »