Jornal dos Desportos

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Opinio

De novo as infra-estruturas

29 de Março, 2018
A herança herdada pelo país logo após a independência nacional em termos de infra-estruturas deixou muito a desejar, pelo que o esforço empreendido pelo governo para recuperar as que com o tempo se foram degradando bem como a construção de novas a partir do zero foi na verdade estóico.
Ao longo de todos estes anos milhões de dólares foram consumidos em infra-estruturas desportivas, desde os estádios de futebol dos mais modernos a recintos multiusos para modalidades como o basquetebol, andebol, hóquei em patins, etc, modalidades que, por sinal, têm já uma tradição mundialista, com as duas primeiras, num outro ângulo, com participações olímpicas bem conseguidas.
O desporto de alto rendimento requer a existência de infra-estruturas para o seu suporte, mas estas também requerem verbas para a sua manutenção que não são nada baratas nos dias que correm.
Em 2010 o país organizou o seu primeiro CAN de futebol e tal organização obrigou à construção de quatro estádios de futebol, um regalo de encher os olhos na altura tal era a sua grandiosidade, mas que movimentou milhões de dólares para a sua construção.
Hoje, passados cerca de oito anos, o receio de que afinal o país terá construído autênticos \"elefantes brancos\" ainda paira no ar.
A gestão danosa de alguns desses recintos levou à sua degradação acelerada, com mais intensidade no Estádio da Tundavala, no Lubango, e do Chiazi, em Cabinda, que pouco tempo após o fecho da competição continental no país fecharam as portas e abriram brechas para a degradação que se mantém até hoje. O cenário é triste, pois, quem de direito, fez ouvidos moucos aquando das primeiras denúncias sobre o que se estava a passar nos recintos que por altura da sua inauguração mexeram com o nosso orgulho.
A recuperação, manutenção e gestão das infra-estruturas em todo o país figuram entre os grandes desafios do Ministério da Juventude e Desportos (MJD), segundo a ministra do sector, Ana Paula da Silva do Sacramento Neto.
A governante afirmou ser um dossiê preocupante e que o pelouro está a trabalhar em um modelo de gestão seguindo-se a realização de concursos públicos, mas, antes se deverá recuperar por algumas estarem degradadas, outras carecem de manutenção e umas nem se quer estão em uso.
É evidente que o país vai gastar verbas para tudo isso, dinheiros que poderiam ser canalizados para outros investimentos, ademais nesta altura de crise em que as prioridades devem ser definidas e as verbas financeiras não abundam.
A gestão danosa do património constitui crime, pelo que as pessoas que deixaram a situação arrastar-se até ao estado actual devem, de facto, ser responsabilizadas.

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