Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Defeso movimentado

23 de Dezembro, 2016
Mesmo com as grandes competições nacionais paradas (Girabola e Taça de Angola), é interessante a forma como o futebol nacional se movimenta.

As eleições na Federação Angolana de Futebol que consagraram o candidato Artur Almeida e Silva como novo presidente do organismo que rege o desporto-rei no país prenderam as atenções gerais durante longos dias, e foram, sem dúvida, o ponto mais marcante deste defeso que se regista no futebol.

A forma como os três concorrentes (Artur Almeida, José Luís Prata e Osvaldo Saturnino Jesus) partiram para a luta eleitoral, bem como os respectivos programadas apresentados aos eleitores, criaram logo à partida uma certa incerteza em relação ao desfecho desse pleito eleitoral, só desfeita no dia das próprias eleições, quando os resultados eleitorais foram anunciados.

Neste momento, as atenções estão centradas na dança das transferências que todos os anos mexe com o mercado. Para já, é dado adquirido que em tempo de crise os clubes (alguns) terão dificuldades acrescidas para reforçar os respectivos plantéis, bem como para suportar a época que terão pela frente, com as despesas de deslocações e alojamento, para além do cumprimento contratual com os atletas e treinadores das suas equipas.

Com a carência de divisas no país, é quase certo que não teremos no Girabola um grande número de jogadores e treinadores expatriados, o que pode constituir uma bola oportunidade para os atletas nacionais ganharem o seu lugar, principalmente aqueles saídos dos escalões de formação, até bem pouco tempo preteridos a favor de jogadores estrangeiros, muitos deles sem a qualidade que deles se esperava.

Os treinadores angolanos podem, também, ter agora uma oportunidade para conquistar o seu espaço. Por enquanto, só o 1º de Agosto e o Petro de Luanda mantêm treinadores expatriados, no Libolo está tudo fechado a sete chaves.

Com a abertura das oficinas, as novidades nos clubes serão mais visíveis, e uma das grandes curiosidades será saber como é que as formações que farão a sua estreia no campeonato, Santa Rita do Uíge e JGM do Huambo, se vão apresentar numa prova exigente, em que os participantes têm de estar preparados financeira e desportivamente

para lograr êxitos, porque sem isso, o retorno ao escalão secundário é o caminho mais provável.

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