Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Defeso muito agitado

05 de Dezembro, 2014
Fica a sensação de que tanto o 1º de Agosto como o Petro de Luanda, as equipas mais tituladas do nosso futebol, seguindo a ordem de arrumação na tabela classificativa da temporada que findou há menos de 15 dias, não chegaram verdadeiramente a calar os motores. E é natural que não tenham, de facto, levado a mão à chave na ignição, porque, cada um à sua medida, teve uma época frustrante para as suas ambições e por aquilo que representam na hierarquia do desporto nacional.

Para os assumidos candidatos ao título, este defeso agitado promete, quer pela ânsia de receber os que partiram com ordem para voltar, quer pela motivação acrescida de provar e mostrar as novas peças do armamento.

E isto não resulta apenas de se vislumbrar no horizonte um conjunto de contratações mas, sim, que elas façam de facto a diferença que faltou, por exemplo, na época passada, em que a manta não esticou tanto, nem a qualidade do tecido foi das melhores.

Se a matéria-prima não serve ou não serviu para os objectivos traçados, para já, as intenções da nova temporada têm de ser diferentes: compactar (ou retocar) o sistema e ajustar a estratégia, dando à equipa uma calibragem "resultadista", de modos a que os resultados apareçam e sejam diferentes das últimas épocas. Por caminhos diferentes, 1º de Agosto e Petro sintetizam este defeso agitado.

Porém, podemos sempre debater durante dias, até com maneirismos de psicanalista, a depressão que se verifica no eixo viário, depois do anúncio do seu presidente na última assembleia geral do clube, ao dizer que a luta pelo título não figura nos planos da equipa.

Por aquilo que se observa até ao momento, o Kabuscorp, campeão destronado pelo Recreativo do Libolo, supera a concorrência. Depois das contratações de Patrick Anfunu (ex-Sagrada Esperança), Mano (ex-Progresso Sambizanga) e Dominiki Kivuvu (ex-CFR Cju da Roménia), Bento Kangamba "roubou" Ladji Keita ao Petro de Luanda.

O segundo melhor marcador do Girabola de 2014, com 13 golos, ao serviço do Petro de Luanda, assinou contrato com o vice-campeão nacional, válido para uma época e outra de opção. Caso consiga justificar no seu primeiro ano de contrato os créditos que o habilitam como goleador, o contrato pode ser prolongado.

Uma questão pertinente se coloca. O jogador tem um vínculo contratual com o Petro até 31 de Dezembro de 2016. Tem o Kabuscorp noção disso? Esperemos que sim, porque transferências litigiosas representam um risco para o clube e para o jogador.

Até ao início da nova temporada, muita água vai ainda correr debaixo da ponte. Novas transferências virão à tona. Quer de jogadores como de treinadores.

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