Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Defeso prolongado

08 de Novembro, 2014
A edição foi ganha pelo Recreativo do Libolo, que despoja do título o Kabuscorp, que apesar do investimento feito, não conseguiu a desejada revalidação. Contentou-se com o “título” de vice - campeão.

À excepção dos jogadores do Petro e do Benfica de Luanda, finalistas da Taça de Angola, que vão decidir a posse do troféu no dia 23, os restantes já se encontram de férias.

O Girabola começou no dia 21 de Fevereiro e encerrou a 5 de Novembro. Qualquer coisa como nove meses. Se tudo correr como tem acontecido, o pontapé de saída da edição seguinte pode acontecer em Fevereiro de 2015. Implica dizer, que os jogadores só devem voltar ao activo três meses depois.

O defeso prolongado que se observa entre o início e o termino do Girabola, é um assunto que anualmente mexe com os dirigentes dos nossos clubes, que se sentem prejudicados porque têm de pagar salários, sem que os seus jogadores estejam no activo.

Por lei, todo o trabalhador tem direito anualmente a um mês de férias. Uma situação que infelizmente não acontece com os nossos clubes, cujos jogadores têm o privilégio de descansar três meses e com os salários em dia. É verdade que nem todos os clubes cumprem com isso, mas há quem cumpra na íntegra.

Ano após ano os clubes reclamam, mas não há meio da FAF tomar uma posição, mesmo que reconheça razão aos seus filiados. Aliás, o nosso país deve ser o único no continente onde os jogadores ficam parados três meses. O único onde o tempo que intermedeia o início e o fim da principal prova do calendário do futebol nacional, seja de três meses.

O problema é antigo. Os elencos federativos sucedem-se a cada quatro anos, mas ninguém consegue encontrar alternativa para diminuir o defeso que é demasiado prolongado. Um defeso que penaliza as equipas engajadas nas provas continentais. Entram para a competição no vazio, sem competição nas pernas. E os prejuízos são enormes e ficam à vista.

Os mais entendidos defendem o início do Girabola, mais cedo. Outros defendem como está, em Fevereiro, com a inclusão por parte da FAF de outras provas internas, que iam colmatar o vazio entre o início e o fim do Campeonato.

Há clubes que não têm grandes fundos. O dinheiro que angariam é gasto de forma equilibrada. E ainda assim, têm dívidas por liquidar. Como conseguem esses clubes pagar salários a jogadores que não estão no activo?

O momento é de reflexão. A FAF em colaboração com os filiados (APFs e clubes), tem de encontrar uma forma de minimizar custos.

Situação que pode ajudar os nossos representantes nas Afrotaças. O defeso pode e deve ser reduzido.

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