Jornal dos Desportos

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Opinio

Desafio dos Palancas

31 de Março, 2016
Depois da Selecção Nacional de futebol averbar duas derrotas consecutivas diante do Congo Democrático, perdeu a liderança do grupo de qualificação ao CAN'2017 e como se não bastasse em função dos resultados dos outros concorrentes, baixou para a modesta terceira posição, embora com possibilidade de apuramento praticamente comprometida.

Ao auspiciar um bom começo de torneio que permitiu chegar ao fim da segunda jornada à frente do grupo, esperava-se que servisse de elemento motivador à equipa ao ponto de fazer na dupla jornada com o Congo Democrático resultados mais equilibrados que permitissem se não a manutenção da liderança, ao menos o segundo lugar.

O problema dos Palancas voltou a ser o do costume: resistir estoicamente à pressão ofensiva da turma adversária e acabar por cederem ou revelarem-se permissivos. Foi assim no jogo de Kinshasa e voltou a ser no jogo de Luanda. É evidente que quanto ao primeiro jogo aponta-se um conjunto de falhas da arbitragem, mas no último não se coloca a questão.

Assim, a história do percurso qualificativo volta a ser contada da mesma forma das vezes anteriores. Angola para lograr a qualificação para o Gabão'2017 já passou para a dependência de terceiros. Sempre foi como se de uma sina se tratasse é como está a selecção eternamente condenada. E, como dificilmente consegue fazer milagres, fica assim remetida a esta condição.

Recorda a memória ter acontecido uma vez, isto em 2011, em que por uma varinha mágica conseguiu "in - extremis" apurar-se para o CAN'2012, co-organizado pelo Gabão e a Guiné Equatorial. Mesmo que em outras ocasiões tivesse igual sorte, porém não é digno, tampouco gratificante para uma selecção que se preza apurar-se quase sempre “ à boleia” de resultados de terceiros.

Estamos por saber qual será o desfecho desta vez. Desde já vem a seguir uma deslocação difícil a Bangui, que será provavelmente o jogo que vai definir o desfecho. Afinal o que resta agora é pontuar nas duas últimas jornadas e depois aguardar e ver como ficam as contas gerais. Este pontuar, entretanto, deve ser na plenitude, ou seja, ganhar e não empatar.

Está-se perante uma condição extremamente difícil em que se encontram os Palancas. Achamos que a selecção merecia estar no CAN'2017, sobretudo, porque com o processo de injecção de sangue novo que está a conhecer, tem revelado atitude. Joga de forma mais destemida e com uma notável determinação. Vezes houve em que perdeu por exibição pálida. Mas não foi o caso desta vez.

Diz o adágio que a esperança é a última a morrer, vamos acreditar porque o céu ainda não desabou, e tudo pode acontecer, é apenas uma questão de manter viva a crença e mais do que isso, apostar nas reais capacidades. A qualificação está comprometida, mas não pode ser tomada como algo fora das possibilidades.

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