Jornal dos Desportos

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Opinio

Desafios no Minjud

16 de Novembro, 2017
A nova ministra da Juventude e Desportos tem grandes desafios pela frente no seu consulado, para colocar o desporto nacional à época dos tempos áureos, em que o nome de Angola era uma referência nas mais diversas modalidades, pelo menos ao nível do continente africano.
Ana Paula do Sacramento até antes da sua nomeação ocupava o cargo de Secretária de Estado nesse mesmo departamento ministerial, apesar de permanecer pouco mais de um ano no cargo, pode dizer-se ainda assim, tratar-se de um quadro que já conhece os cantos do ministério que agora passa a dirigir, coadjuvada pelo antigo basquetebolista, capitão do 1º de Agosto e da Selecção Nacional, Carlos Almeida.
Numa altura em que a modalidade rainha, a grande paixão dos amantes do desporto, o futebol, procura sair do marasmo em que se encontra, com os resultados dos últimos dez anos a serem francamente desoladores, a ministra e a sua equipa vão equacionar no quadro da política desportiva nacional os caminhos que a modalidade deve percorrer.
A Selecção Nacional tem a partir de Janeiro, o CHAN como compromisso imediato, depois de falhar as eliminatórias de qualificação ao CAN dos Camarões, em 2019, e ao Mundial da Rússia, no próximo ano.
Os Palancas Negras jogaram cinco edições consecutivas do CAN ( Egipto -2006, Ghana-2008, Angola-2010, Gabão e Guiné -2012 e África do Sul -2013), falharam as duas últimas, 2015 (Guiné Equatorial) e 2017 (Gabão), que preocupam os seguidores do \"onze\" nacional, que vêem um sinal de mau augúrio, ou seja, um período de decadência do futebol angolano, comprovado até pelas estatísticas do ranking da CAF e da FIFA.
A nível das selecções jovens, não obstante o regresso dos Sub-17 ao CAN da categoria, 17 anos depois, o quadro é também dramático. Por exemplo, desde que a selecção Sub-20 conquistou o título de campeã africana em 2001, só voltou a disputar a prova em 2005, e de lá para cá, nunca mais logrou qualquer qualificação.
Já se realizaram três congressos de futebol, organizados pela Federação Angolana de Futebol e ainda assim na prática tudo continua na mesma, como se as deliberações saídas desses encontros fossem sempre engavetadas, por falta de serventia prática.
Todavia, não é só futebol que atravessa uma profunda crise. O basquetebol, que a par do andebol é das modalidades mais tituladas do país a nível africano, vive de um tempo à esta parte, momentos de algum desencontro, com reflexos para a Selecção Nacional que depois de um longo período de domínio, tende a perder a hegemonia, caso não ataque de frente os problemas que o afectam.
A mais recente decepção ocorreu recentemente, com a participação de Angola no Afrobasket que decorreu no Senegal e Tunísia, em que a pretensão do resgate do título africano perdido há dois anos para a Nigéria, não passou disso mesmo. Ou seja, o sonho que parecia ser uma realidade, transformou-se num ápice em autêntico pesadelo.
A mesma sorte teve o “cinco\" nacional feminino, que em Maputo também destoou depois de uma fase preliminar brilhante, em que tudo apontava para a conquista do terceiro troféu em África, depois dos brilharetes no Mali, em 2011, e Moçambique em 2013.
Como consequência, os treinadores das selecções cederam os seus lugares, no masculino, Manuel Silva \"Gi\" foi substituído há dias pelo norte-americano William Voigt, enquanto no feminino, Jaime Covilhã colocou o lugar à disposição, aguarda o seu sucessor.
Só pela duas modalidades citas, dá para ver os desafios que o sector do desporto, particularmente, a ministra Ana Paula do Sacramento Neto tem pela frente.

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