Jornal dos Desportos

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Opinio

Descanso no CAN

26 de Janeiro, 2017
Os dias de hoje e de amanhã estão consagrados ao repouso no 31º Campeonato Africano das Nações de futebol, que decorre no Gabão, terminada a primeira fase da prova. As equipas retemperam as energias para rumarem para os quartos-de-final, etapa da competição mais exigente, já que nela só as vitórias contam, sendo que derrota é o suficiente para afivelar as malas e tomar o caminho de volta a casa.

Entretanto, como nota dominante daquilo que determinaram os 24 jogos, foi o afastamento do Gabão, selecção anfitriã, e da Costa do Marfim, selecção campeã em título. As duas de quem mais se esperava, porque uma se fazia valer pela vantagem de jogar em casa e outra nas vestes de detentor do título, ficaram pelo caminho, por se terem revelado imaturas e incapazes de contrapor-se à hegemonia de outros parceiros de grupo.

Na verdade, as equipas entraram a matar para o campeonato. Os resultados equilibrados nas primeiras duas jornadas falam por si. De resto, não funcionou a tal linha divisória entre os grandes e os pequenos e tudo ficou de tal modo complicado a ponto de na primeira fase terem tombado equipas que se esperava irem mais além, e para os quartos-de-final também terem passado aquelas que pouco prometiam.

Seja como for, é este clima de equilíbrio na reacção aos jogos que valoriza a competição, não havendo por isso quaisquer motivos para contrariar esta ou aqueloutra situação. Vamos esperar que nos quartos-de-final as equipas voltem a evidenciar a mesma determinação, a mesma entrega, de modo a que o torneio agrade àqueles que acompanham a sua evolução até à final.

Se depois de no passado dia 14 ter a prova arrancado com o 16 equipas, hoje só já metade continua de pedra e cal, quando segunda-feira o continente acordar da ressaca do fim-de-semana, só quatro equipas estarão em condições de dar prosseguimento à disputa do campeonato. Ou seja, os semi-finalistas, que bater-se-ão até ao limite pelo troféu.

À partida, se se fizer justiça àquilo que tem vindo a fazer nas últimas edições, o Gana chega à conquista do seu quarto título, depois de ter arrebatado o terceiro em 1982 na Líbia. Afinal são décadas de jejum, mas também de muita qualidade futebolística. Basta lembrar que na últimas cinco edições disputou duas e perdeu finais, nomeadamente no em Angola, em 2010, e na Guiné Equatorial em 2015. Mas também não se deve perder a atenção à magia do francês Hervé Renard, que se vai assumindo num "papa CAN´s".

Se a moda pega, depois de ter ganho em 2012 à frente da Zâmbia, em 2015 com a Costa do Marfim, pode ser que esta seja a vez do homem, que um dia Angola mandou às urtigas, levar a festa para Marrocos. Vamos aguardar.

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