Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Desenhar o futuro

21 de Outubro, 2016
Mesmo não sendo o desporto com particularidade de elevar o ego dos angolanos, o futebol é, sem dúvidas, a maior paixão dos angolanos. Este pormenor é entendido até inclusive pelo Estado, que nunca se poupou a esforços no apoio à Selecção Nacional, pese embora os seus resultados que nos últimos tempos deixam muito a desejar.

Aliás, a força do futebol em unir o país é vista nos dias em que os Palancas Negras estão em acção, quer seja internamente, quer no exterior do país. Nestes dias as fricções politicas, clubísticas e religiosas são colocadas à parte. Num ambiente de mais de milhares de pessoas, como tem acontecido nos estádios onde actua, nem dá para perceber as diferenças que às vezes dividem uns dos outros.

Entretanto, nos últimos anos a qualidade do futebol nacional e consequentemente dos seus actores baixou consideravelmente. Só para se ter uma ideia em 1997 Angola era a 50ª melhor selecção do Mundo. Hoje, está entre as piores abaixo de países como Cabo Verde, Guine Bissau, e outras de países com pouca expressão futebolística.

Percebe-se que os tempos sejam outros, e a realidade também. Mas estes números nos transmitem uma valiosa lição. Sem querer identificar culpados, esta clara regressão da qualidade do nosso futebol tem a ver primeiramente com a falta de objectivos claros. Também há indícios de que o foco dos que gerem o futebol é apenas um: participar em competições continentais com interesses pouco confessos.

Só assim se pode justificar que em 40 anos de independência a Federação Angolana de Futebol já tenha trocado de seleccionador mais de 30 vezes. Entretanto, todos estes pormenores já foram discutidos e já se identificou o problema. Agora a questão é encontrar soluções para se sair da situação menos boa em que o futebol se encontra.

O presidente da Republica, já deu o primeiro passo ao incentivar a criação da Academia de Futebol de Angola, além de ser um dos grandes apoiantes dos Palancas Negras. Clubes como 1º de Agosto e Petro de Luanda, que já produziram grandes talentos são grandes exemplos a seguir.

Falta-nos agora planos a médio e longo prazos e homens competentes e capazes de fazer cumprir, com rigor, os planos ou objectivos traçados para com o futebol, porque há alguma falta de rigor e de disciplina na execução dos planos, e isto também afecta o mundo do desporto e do futebol em particular.

Está identificado o problema do futebol e as soluções também. Vamos passar para a prática, prestando detida atenção às selecções actuais de Sub-20 e Sub-17, que começam a formar uma geração que nos possa devolver a alegria.

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