Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Desporto e a crise

16 de Junho, 2018
As coisas estão a mudar nos últimos tempos. Nada mais é como antes. E, para mal dos pecados, as mudanças evocadas processam-se em sentido negativo. Tudo vai mal. Ou seja, o que num passado não muito longínquo estava ao alcance, hoje, é uma miragem. As facilidades deixaram de existir, deram lugar a uma onda de dificuldades.
O desporto no nosso país está a ser vítima dessas mudanças. Hoje, a actividade vive um conjunto de limitações para desenvolver as suas acções. Clubes, Associações e Federações vivem a dura realidade, é à custa de muito exercício que mantêm as modalidades sob sua alçada.
A crise económica assentou arraiais, há coisa de cinco anos, está a ser apontada como responsável por esta mudança de quadro, embora em alguns casos, pareça haver uma espécie de aproveitamento da parte de quem perante a possibilidade de fazer mais e melhor, escuda-se neste argumento para não gastar, ou para desviar fundos para outros fins.
Fazer desporto, está a ser realmente um “Deus nos acuda\", nos últimos tempos. O próprio campeonato nacional de futebol da primeira divisão, é hoje o que é, com equipas a fazer das tripas coração, para suportarem as exigências financeiras de uma maratona de 30 jornadas. Umas, acabam por desistir, como foi, muito recentemente, o caso do JGM do Huambo.
Mesmo as selecções nacionais, enfrentam um conjunto de dificuldades para disputarem competições internacionais, há casos em que renunciam os estágios de preparação, ou na pior das hipóteses, à própria competição. Esta é, talvez, a fase mais dolorosa de ser dirigente desportivo nos tempos actuais.
A tradicional corrida de fim de ano, São Silvestre, perdeu a graça de outros tempos. Quase sem participação internacional, como sempre foi a prova que sai à rua no último dia do ano, já não tem a expressão dos anos passados! Falta condições financeiras para trazer corredores estrangeiros, que afinal são os grandes animadores. Até onde chegamos!
Pior que isso, falta dinheiro até para os serviços mínimos, que roça os píncaros do absurdo. Até não há quase sempre água para quem treina! Chegados ao extremo, talvez só nos resta cruzar os braços. A melhor chega-nos da província da Huila, onde Joaquina Hossi, campeã nacional de lançamento de peso, que se prepara para os Jogos da SADC, trabalha com pedras ao invés de disco ou dardo. É o cúmulo, realmente.
Será que por esse andar, pode-se exigir resultados aos técnicos e aos atletas? Pelo andar das coisas, pode exigir-se, que no plano competitivo, o país tenha a prestação de quem trabalha com todas as condições criadas? O lançador de pedras augura as mesmas performances do que trabalhou com as ferramentas apropriadas? “How go our country”!...

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