Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Desporto no feminino

08 de Março, 2018
As mulheres movem o céu e delas brota o sopro da vida humana. Muitas foram as mulheres que ao longo do tempo lutaram, para que o desporto no feminino praticado em Angola atingisse níveis altos, embora, seja forçoso reconhecer que os números alcançados até ao momento estejam longe do desejado.
Muitas vezes, em detrimento da família, a passar as festas longe dos entes queridos ou em sacrifício da própria vida profissional ou académica, as jovens desportistas angolanas superaram barreiras para melhor servir o país.
Em termos desportivos, os êxitos das nossas atletas nunca passaram despercebidos. Por exemplo, o caso da jovem Esperança Caxita que no xadrez deu cartas em África, trouxe para o país títulos de campeonatos africanos de jovens, proezas que apenas serviram para confirmar o potencial que existe no país.
O basquetebol feminino deu grandes alegrias ao país. No continente africano, as nossas senhoras mostraram a \"garra\" com a subida ao pódio, por duas vezes, o que as levou a desfilarem em campeonatos mundiais, em representação do continente.
Feitos que contrastam, grandemente, com a fraca competição interna que se regista internamente. As conquistas da Selecção Nacional, não motivaram o surgimento de mais equipas femininas de basquetebol, pelo que os nacionais seniores continuam a ter as mesmas inquilinas.
Contudo, o andebol é o grande embaixador do desporto praticado no feminino, no país. A Selecção Nacional está imbatível em África, no cômputo é das selecções do país a que mais títulos ostenta.
As Pérolas têm de facto uma trajectória invejável, com participação regular nas grandes competições internacionais, como Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundo, e não foi por acaso que integraram o top-10 das melhores selecções mundiais.
Embora, não haja uma tendência machista do desporto muito acentuada, no dirigismo desportivo por exemplo, a diferença entre homens e mulheres é bastante acentuada. Nos tempos que correm, não há nenhuma mulheres à frente de qualquer agremiação desportiva, ao contrário do que aconteceu em tempos idos com o Sporting do Bié, com Ana Paulo, ou mais recentemente no Sport Luanda e Benfica que teve como presidente a actual deputada Tchizé dos Santos.
Nas Federações desportivas, o cenário é mais animador. O ciclismo e karaté, para além do ténis de mesa, têm mulheres eleitas em pleito no âmbito do que está consignado na Lei das Associações Desportivas.
As mulheres provaram as suas potencialidades, então, estão em condições de jogar um papel mais relevante para o engrandecimento do desporto na generalidade no país, tanto no capítulo desportivo como no que respeita ao dirigismo desportivo.

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