Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Desporto no Huambo

26 de Setembro, 2019
Disputou-se no fim-de-semana, na cidade do Huambo, a I edição da Taça Cuima, em atletismo. A prova atingiu níveis de organização e de competitividade que deixaram entusiasmada a governadora Joana Lina, e na sequência disso, prometeu, para os próximos tempos, mais investimento na modalidade e no desportivo em geral, a nível da província que dirige. Na verdade, trata-se de uma notícia que soa bem, aos ouvidos de todo amante do desporto, peca, apenas, por tardia. O Huambo pode ser entendido como a província do país em que a vida desportiva sofreu um grande retrocesso nos últimos tempos, se comparado ao que já foi no passado e ao que é hoje, a este nível. Falando apenas do atletismo, num passado não muito distante, a província foi de uma forte tradição, pariu corredores que marcaram uma época no atletismo nacional. O Huambo neste quesito rivalizava só com a Huíla, outra província com forte potencial e com condições climáticas que se equiparam. Muitos devem estar lembrados do nome de Pedro Luciano, fundista que em corridas como a São Silvestre desafiava lebres etíopes e quenianos. Isso, foi numa época em que se investia no sector desportivo, sem olhar a meios. Uma época que se pode considerar, sem qualquer exagero, de ouro no nosso desporto. Enfim, Huambo foi sempre depois de Luanda, o maior centro de massificação desportiva, depois vinham as outras províncias como Benguela, Huíla, Cabinda, Uíge e outras, ainda da grelha geográfica do país. Estamos a falar de um período que antecedeu à independência nacional e de outro que se seguiu. Entretanto, com o curso do tempo as coisas foram sofrendo alguma inversão até desvirtuar. Futebolisticamente, falar do Huambo, é falar dos Palancas, do Recreativo da Caála, do Ferroviário, do Petro e do lendário Mambrôa. Com relação a outros desportos, a conversa pode levar-nos à lembrança, as "seis horas de Nova Lisboa", em automobilismo, isso, faz-nos recuar mais no tempo. Hoje, o Huambo é uma espécie de “parente pobre” no desporto nacional. Oxalá, a visão da governadora provincial seja para levar à sério, deve ser visto todo o mosaico desportivo local. É certo, que a condição económica e financeira que vive o país, pode sobrepor-se à intenção. Todavia, com políticas bem traçadas pode ser possível guindar o desporto da província num outro patamar.

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