Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Dinheiro dos rbitros

06 de Outubro, 2017
A crise financeira que o país vive tem dificuldade o bom desempenho de muitos sectores da vida nacional, uma situação que também envolve o desporto, particularmente o futebol, com grande parte das agremiações com dificuldades acrescidas para cumprirem os seus compromissos.

Clubes há que bradam aos céus por milagres para que os seus cofres possam ter o mínimo para assegurar o seu normal funcionamento, dado que muitos deles envolvidos nas principais competições nacionais, Girabola e Taça de Angola, têm de suportar despesas com deslocações e alojamento, além dos compromissos salariais com jogadores, treinadores, bem como os respectivos prémios de jogo, além do pagamento do restante pessoal que assegura o seu funcionamento administrativo.

Ainda assim, no ror de todos estes condicionalismos, o caso mais caricato envolveu uma equipa de arbitragem que inviabilizou a disputa de uma partida para o Girabola e que envolvia na Caála o Recreativo local e o Interclube, tudo porque a equipa caseira tinha dívidas pendentes com os árbitros escolhidos pelo órgão reitor do futebol nacional, e que se recusou apitar com os dois conjuntos presentes no estádio, enquanto tal dívida não fosse saldada.

Um caso insólito, mas que deveria merecer da parte da FAF o mais vivo pronunciamento, porque há, por exemplo, compromissos televisivos por cumprir, para além do respeito ao público que deve ser uma das prioridades, além das despesas que a formação visitante teve de suportar com a transportação e o alojamento no local.

Os espectadores pagam os ingressos para verem os espectáculos que os jogadores lhes podem proporcionar dentro das quatro linhas, e de modo algum podem ser defraudados por situações como a verificada no recinto em que o Recreativo do Caála realiza os seus jogos na condição de equipa visitada.

De acordo com as decisões do organismo reitor, compete as equipas caseiras assumir as despesas com os homens do apito, e é a própria FAF que deve velar para que essa norma seja cumprida, tomando as medidas necessárias quando se verificarem incumprimentos.

O que não é nada salutar é inviabilizar-se um jogo, previamente marcado por recusa dos árbitros em darem o sinal para que o mesmo se realizasse.

Ainda que se atribua falta de comparência ao Recreativo da Caála, é importante que tal situação não se repita, até porque o campeonato caminha para o seu final, em que a verdade desportiva deve ser perseverada, e não é de bom tom que equipas consigam pontos na secretaria, se outros árbitros resolverem seguir o mesmo caminho.

Os clubes devem saber que os compromissos com os homens do apito têm de ser respeitados, pois, só dessa forma é que se podem limitar e mesmo anular algumas inverdades que ainda persistem no futebol nacional.

Se há normas para cumprimento obrigatório, então que se criem mecanismos para que se possam cumprir quando tal não acontecer.
Para o bem do futebol, diga-se.

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