Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Dvidas e calotes

17 de Janeiro, 2019
Têm sido frequentes as reclamações que ouvimos aqui e acolá, sobre incumprimento de certos clubes com atletas ou com técnicos. É lógico que esta música não é de hoje. Vem de há muito, porque também verdade seja dita, os dinheiros nem sempre estão à mão de semear. O que é certo é que nos tempos actuais, a coisa tornou-se uma espécie de peste. Todos ficam a dever e todos os devidos cobram.
Não é de estranhar na actual conjuntura. Pois, as facilidades havidas no passado deixaram de existir em face da galopante crise económica, e quando há crise já se sabe qual é o resultado que vem a seguir. É certo que alguns clubes, talvez com uma gestão mais responsável ou mais assistidos, conseguem dar volta à situação. Outros não têm como, senão mergulhar na onda de dificuldades.
Nos últimos tempos tem sido assim. Diríamos mesmo que fazer desporto passou a ser uma obra de Hércules, devendo ser enaltecidos todos aqueles, que se movimentando no mundo desportivo fazem trinta por uma linha, para manter vital esta actividade social. A direcção da Federação Angolana de Futebol, veio a público, através do seu Conselho de Disciplina, a apelar aos clubes devedores a liquidarem as suas dívidas.
A terreiro vieram as designações de clubes, que se acham na condição de devedores, assim como os nomes daqueles a quem os mesmos ficam a dever. Na verdade, é longa a lista nominal, deixando escapar a sensação de que a falta de verdade desportiva no nosso futebol não reside apenas nos resultados, que às vezes são mais de laboratórios que de campo, mas também na falta de sensatez de alguns gestores. Dívida, no sentido real da palavra, é aquilo que se tem a pagar a alguém por algum serviço que nos tenha prestado. Logo, é algo que não deve ser secular, mas sim temporário. Infelizmente, cá entre nós, não é o caso.
Foram relatados factos de que os agentes do futebol já andam familiarizados. Há dívidas prestes a ter outra designação. Calote, talvez seja o termo melhor enquadrado.
Porque quando a tendência do devedor é se remeter ao silêncio, numa clara manifestação de falta de vontade de repor aquilo que é de outrem, já não estamos perante um devedor, estamos sim perante um caloteiro. E há casos constantes na matéria que nos foi dado a ler, que já não devem ser tomados por dívidas. Estão muito para lá disso.
Pergunta-se: É neste mundo de enganos e desenganos, que se pretende fazer um desporto são e para todos? Os casos de que nos referimos têm a ver apenas com o futebol. Mas nada nos diz, que a nível de outras modalidades a realidade seja diferente. Haverá igualmente situações análogas, geridas inteligentemente, antes que escapem à praça pública.

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