Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Divrcio consumado

03 de Maio, 2017
Acaba de consumar-se o divórcio entre o Atlético Sport Aviação, ASA, e o treinador João Machado, protelado por alguns dias depois do Jornal dos Desportos ter indicado que o despedimento do técnico era uma questão de horas.

Machado sai do clube aviador pela porta pequena, humilhado até, dada a forma como foi comunicado o seu despedimento pelo presidente dos aviadores, Elias José, via telefone, numa altura em que o treinador era alvo de uma homenagem da parte do Movimento Nacional Espontâneo, ao lado de outras antigas glórias do futebol nacional, entre futebolistas, treinadores e dirigentes desportivos.

Os dirigentes são livres de contratarem os treinadores que julgarem convenientes para dirigirem tecnicamente os clubes sob sua alçada, da mesma forma que têm toda legitimidade para despedi-los, mas o respeito pela figura do treinador deve marcar sempre qualquer relação. Infelizmente, despedir um treinador por telefone não é um caso inédito no mundo do futebol, onde Angola está inserida mas há normas de conduta que devem estar sempre presentes.

Da mesma forma que os contratos são assinados com treinadores e dirigentes num frente a frente com \"olhos nos olhos\", o rompimento desse mesmo contrato por qualquer razão também deve ser da mesma forma.

Os treinadores são sempre o elo mais fraco na relação clube-jogadores-técnicos, já que bastas vezes eles são os sacrificados, servindo como bodes expiatórios dos maus resultados que os mesmos clubes registam. À frente do clube aviador, João Machado conseguiu apenas uma vitória, com cinco empates e cinco derrotas, o que lhe deu um somatório de oito pontos, o que decerto não terá sido do agrado da direcção do clube do aeroporto, que depois de nas últimas épocas ter vivido grandes convulsões, numa luta titânica para não descer de divisão, esperava esta temporada fazer um campeonato tranquilo.

Das equipas presentes no actual Girabola, o ASA é a formação que mais vezes teve a corda \"amarrada ao pescoço\" para não descer, com despedimentos de treinadores à mistura e com greves dos jogadores a marcar presença, o que colocou o clube debaixo de uma grande instabilidade tanto desportivo como organizativa.Para já, o jogo de hoje em Calulo, diante do Recreativo do Libolo de acerto de calendário pode servir para aferir até que ponto foi benéfica a saída do treinador nesta altura.

Pontuar esta tarde pode impulsionar a equipa para a tão desejada recuperação, mas regressar comum resultado negativo vai apenas servir para se observar o perpetuar da crise que pode conduzir a outras situações indelicadas.

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