Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Dvida de vergonha

08 de Setembro, 2016
Uma dívida de seis mil dólares para com os organismos internacionais, levou a que os ginastas angolanos que competiram no último campeonato africano que a Namíbia albergou, ficassem sem as medalhas conquistadas por terem sido congeladas até à regularização dos pagamentos das multas em atraso, por parte da Federação Angolana da modalidade.

O país volta a estar na boca do mundo, pelos piores motivos, e é difícil descrever o sentimento que se apossou dos nossos representantes, que acabaram por regressar ao país depois de muito esforço na preparação e entrega ao longo da competição, para que pudessem subir ao pódio de medalhas ao peito.

Todos, abdicaram de algumas coisas para se entregarem à causa da ginástica nacional, porque sabem as exigem que campeonatos como esse acarretam, e é gratificante no final regressar à casa, com o sentimento do dever cumprido. Angola conquistou 64 medalhas no campeonato da Namíbia, mais 12 que na competição anterior, que por si só representa uma evolução dos nossos ginastas, e por isso, eles não deviam estar sujeitos a esses incumprimentos administrativos por parte de de quem de direito, em relação à Federação Internacional.

É certo que o país atravessa dificuldades financeiras, mas isso não justifica que situações como essas aconteçam, e que sejam os nossos atletas a sofrerem tamanha humilhação.

O órgão que superintende a ginástica no país está com um pano quente nas mãos, dado que tem poucos dias para pagar o dinheiro relativo às multas, para que as medalhas que por direito pertencem aos atletas cheguem às suas mãos no mais curto espaço de tempo, e assim evitar situações mais melindrosas ainda para o país, e para a ginástica nacional.

No capítulo desportivo, a participação de Angola que se posicionou na segunda posição do Africano, foi considerada positiva, e é uma confirmação da aposta que deve continuar a ser feita nas modalidades individuais.

A ginástica angolana tem talentos que se revelam de ano para ano, e que bem moldados nos centros especiais de treinos podem seguramente contribuir para a sua afirmação no contexto internacional.

Os atletas deram mostras de estarem dispostos a tudo fazerem para cumprir a sua parte, que é a obtenção dos melhores resultados nas provas em que estiveram a competir, cabe agora às estruturas que têm sob sua alçada o aspecto administrativo, cumprir com o seu dever para que as questões desportivas não sejam beliscadas com situações desagradáveis.

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