Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

hora de reflexo

22 de Novembro, 2014
Contra todas às expectativas, os Palancas Negras não conseguiram o desejado “passaporte”por terem ficaram pelo caminho, naquele que já é considerado como um dos maiores fracassos do nosso futebol, a nível de selecção.

Pode parecer um paradoxo, mas no rescaldo da curta participação nas eliminatórias, a ideia que fica é a de que a Selecção foi exactamente até onde o talento individual dos jogadores a conseguiu levar, mas ficou aquém, de onde de facto podia chegar, se tivesse conseguido ser uma equipa.

Claro que pressupõe partir do princípio básico, no desporto colectivo, segundo o qual, uma equipa vale mais do que a soma das suas partes. Ora, o que faz a diferença entre um grupo de jogadores mais ou menos talentosos e uma verdadeira equipa, é normalmente aquilo que o treinador é capaz de lhe acrescentar.

A estratégia de Angola falhou redondamente. Em 18 pontos possíveis somou apenas seis. Obteve uma vitória e três empates. De nove pontos possíveis em casa apenas arrecadou quatro (DEV). Fora de casa somou dois dos nove possíveis (DEE).

Em competições similares é proibido perder pontos em casa. Todos os jogos são para ganhar, deve-se procurar somar sempre um ponto fora de casa.

Foi precisamente aqui, que a selecção de Cavo Verde conseguiu o seu brilharete. Venceu os três jogos em casa (Níger, Moçambique e Zâmbia) e foi buscar três preciosos pontos no Níger. Totalizou 12 pontos. Nove em casa e três fora. É claro, muito diferente daquilo que aconteceu com Angola.

Chegou o momento de Angola deixar de viver de sonhos permanentes. Sem ideias, sem objectividade e acima de tudo sem eficácia, dificilmente vai poder chegar à qualquer meta a que se proponha. A estratégia adoptada falhou e as culpas de mais este insucesso dos Palancas Negras, não deve ser atribuído apenas ao técnico Romeu Filemon, mas também à FAF.

O órgão reitor do futebol nacional não teve uma estrutura organizativa aceitável. Uma estrutura que pudesse dar vazão à toda uma série de problemas, que acontecem em provas do género. Os problemas vividos no primeiro jogo da eliminatória, com o Burkina Faso em pleno 11 de Novembro, falam por si. Aliás, foi aqui que tudo começou, que teve início a nossa triste odisseia.

A FAF não pode manter-se em silêncio. Tem de arcar com as responsabilidades. Tem de admitir publicamente o fracasso. Romeu Filemon já o fez.

Disse ter faltado mais dinamismo no trabalho administrativo, para complementar as acções realizadas pela equipa técnica e atletas.

A verdade é que o futebol angolano continua confuso e a ausência na fase final do CAN/2015 acaba por não surpreender os mais atentos. É hora de reflexão.

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