Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

E os resultados?

11 de Março, 2017
À data dos factos, as reacções não se fizeram esperar, houve uma enorme onda de solidariedade vinda dos quatro cantos do mundo. Além da comoção, apoio moral e material às famílias enlutadas, ressalta-se o inquérito mandado instaurar pelo Presidente da República, a fim de se apurar e imputar responsabilidades.

Um mês depois, ainda não foram revelados os resultados de tal inquérito, deixa no ar algumas inquietações, já que o país inteiro, particularmente as pessoas ligadas ao desporto e ao futebol, aguarda ansioso pelo desfecho do apuramento das causas que levaram a perda de 17 vidas humanas.

É verdade, que nem sempre é fácil obter dados fiáveis, para a elaboração da informação que vai conformar o inquérito. Mas é dever das pessoas singulares e colectivas que detém determinados dados ou informações, colaborar com os órgãos afins na disponibilização de informação essencial, a fim de não prejudicar as investigações para se obter o resultado em busca.

Não se percebe como a Federação Angolana de Futebol (FAF), que é uma instituição privada, conseguiu publicar o seu inquérito, e o que foi mandado instaurar pelo mais alto magistrado do país continue até hoje sem resultado, um mês depois da tragédia.

Será que pelo facto da FAF se ter antecipado, se chega à conclusão de que não vale a pena dizer mais nada, sobre o que de facto aconteceu? Será que as conclusões a que o inquérito da Federação chegou, são as mesmas e por este facto, pouco há a dizer sobre o assunto? Ainda que assim seja, pensamos ser importante que a opinião pública conheça o desfecho do trabalho, para não ficar com a sensação de que tudo não passou de um “show off”.

O inquérito instaurado pela Federação Angolana de Futebol (FAF), que foi tornado público no passado mês de Fevereiro, concluiu que houve falhas no plano de segurança, no exterior do Estádio 4 de Janeiro, na província do Uíge, que levaram ao incidente e provocou 17 mortos e 58 feridos no jogo de estreia do Girabola 2017.

“O cordão de segurança da área exterior ao recinto da realização do jogo, não obedeceu aos parâmetros normais, e corolariamente não foram observadas as distâncias necessárias para garantir o acesso ao Estádio, permitindo-se assim que populares com e sem bilhetes válidos para assistir ao jogo, estivessem muito próximos do portão da entrada em referência”, refere a dado passo o comunicado emitido pelo órgão reitor do futebol em Angola.

Isso, pode ser apenas parte das causas, pode existir outras que possam ter desembocado num tão grave acidente, que fica como um dos piores registos negativos do futebol nacional. Portanto, é importante que as pessoas colectivas e singulares, que estão à frente do inquérito mandado instaurar pelo Presidente da República, publiquem as conclusões do trabalho, de modos a esclarecer a opinião pública nacional e internacional e aos familiares que perderam os ente - queridos na ocorrência.

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