Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Em busca da honra

24 de Janeiro, 2016
Apesar de não decidir mais nada, deve ser encarado, com responsabilidade.

Depois da pálida exibição de quinta-feira, espera-se por uma selecção já reencontrada, que tenha alguma ousadia e atitude na quadra, longe da permissividade evidenciada com a República Democrática do Congo que levou ao descalabro total, ou à quebra de todas as possibilidades de se chegar à fase seguinte do certame. Não há mais nada a ganhar, mas há um nome, uma honra e um prestígio a defender.

Mas sabemos todos e porque vimos, que apesar de tanto desperdício, a equipa acertou depois acertar o passo, levantou a cara e luta por um resultado mais digno, o que permitiu marcar dois golos na etapa complementar. Resumindo: vamos admitir que tudo aquilo foi consequência de falta de crença no seio do grupo, um mal de que carece, já que perde jogos por esse motivo.
Agora, o que se exige, é acertar o passo, mais a mais porque o adversário de hoje chama-se Etiópia, menos potente em relação a RDC, a quem se calhar aproveitamos para lavar a nossa honra. De resto, poucos angolanos estarão preparados para verem a selecção regressar de mãos vazias, sem um ponto de honra sequer.

Em resumo, Angola precisa de descolar, mostrar a sua real identidade competitiva, e consiga convencer que o que ocorreu nos primeiros dois jogos, foi um mero acidente de percurso, apesar de determinar o afastamento precoce, de uma competição em que se esperava mais, sobretudo pelo histórico que regista a disputa de uma final.

Seja como for, é preciso encarar a desqualificação, com alguma normalidade. No desporto isto não deve espantar. Angola precisa de mostrar no último jogo que não desaprendeu de jogar futebol, foi vítima de situações internas que marcaram a sua partida para o cenário da prova. Portanto, paga pela sua própria desarticulação psicológica.

Que se parta para o último jogo, determinados para a vitória, quanto mais não seja uma forma de motivar o grupo para os compromissos que vêm aí, mais para frente. Afinal depois do CHAN há que concentrar as atenções para o CAN'2017, em que por capricho do sorteio Angola, volta a cruzar em Março duas vezes com o mesmo Congo Democrático.

A pálida prestação no CHAN, não pode povoar as mentes, deve fazer parte do passado, e concentrar todas as forças e energias naquilo que ainda nos pode valer. Falhar a qualificação para o Gabão'2017 pode ser a confirmação da pobreza futebolística, depois do adeus ao mundial e ao CHAN.

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