Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Encarar o Afrobasket

25 de Abril, 2017
O nossopaís pode vir a ter mais uma vez o privilégio de organizar uma edição do Afrobasket, depois de o ter feito pela primeira vez em 1989, quando iniciou a odisseia vitoriosa que lhe coloca na posição número um do Ranking Africano da modalidade. Voltou a organizar em 1999, em 2007 e agora provavelmente em 2017 por desistência do Congo Brazaville. Até aqui estamos a escrever no condicional porque nada ainda está acertado, sendo que a direcção da Federação Angolana de Basquetebol terá marcado passos desobedecendo alguns pressupostos.

A haver luz verde das autoridades competentes, teremos mais uma vez a honrosa missão de sermos os anfitriões da mais alta competição do Basquetebol continental. É imperioso recordar que os angolanos são os senhores do basquetebol africano com 11 títulos conquistados desde 1989, de forma quase ininterrupta. Em 2011 e 2015, Angola perdeu para a Tunísia e para a Nigéria. Mas o facto de ser a maior potência da modalidade coloca-lhe na condição de crónico candidatos ao título.

Isto implica dizer que não importa quem organiza, Angola tem a súbita honra de competir e vencer ou no mínimo estar entre as três melhores selecções de África, o que aconteceu especialmente em 2011 e 2015 em que ocupou o segundo lugar. Agora com o privilégio de organizar o certame, reiteramos, caso haja anuência do Governo, tem a obrigação de vencer o torneio. Entretanto, temos de reconhecer que a nossa selecção está em fase de remodelação, pois jogadores nucleares como Armando Costa, Kikas, Ambrósio e outros estão no final de suas carreiras.

Além disso, o cinco nacional ainda não tem um treinador a quatro meses da realização do campeonato. Independentemente de como ficarão as coisas, é importante dizer que a indicação do nosso país para a última hora organizar o campeonato africano é um forte indicativo de que o continente confia na capacidade organizativa do executivo angolano em função das excelentes organizações anteriores como aconteceram em 1989, 1999 e 2007.

Temos de ter em mente que organizar um Afrobasket implica custos elevados, desde a acomodação dos atletas, segurança, alimentação e etc etc. Todas as despesas à priori são responsabilidade do Estado e com poucas margens de retorno em termos financeiros, pois sabemos que em África as assistências em ocasiões desportivas como é um Afrobasket, não compensam os gastos. Dai a razão do ministro da Juventude e Desportos sobre as condições em que deve ser preparada e organizada a prova.

Mesmo assim, é um privilégio ímpar organizar um torneio desta dimensão, pois temos a oportunidade de mais uma vez demonstrarmos a nossa força a nível do continente. Assim sendo, esperamos que a direcção da Federação Angolana de Basquetebol crie as condições para que mesmo que a prova se dispute num outro país Angola possa vençê-la.

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